Feridas na boca e rouquidão persistente podem esconder um câncer


Foto: Magnific

Sintomas aparentemente comuns podem indicar cânceres de cabeça e pescoço; Julho Verde alerta para a importância de procurar avaliação médica

 

É comum conviver por semanas com uma afta que não cicatriza ou uma rouquidão persistente na expectativa de que o problema desapareça sozinho. Em alguns casos, porém, essa espera pode significar perder um tempo precioso para identificar um câncer de cabeça e pescoço.

 

O atraso no diagnóstico ainda é uma realidade. Um estudo do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostra que 78,2% dos tumores de cabeça e pescoço são descobertos apenas nos estágios III e IV, quando o tratamento costuma ser mais complexo e as possibilidades de preservar funções importantes podem ser menores.

 

Para o coordenador da Oncologia do Hospital Anchieta Taguatinga e médico do Anchieta Unique, Caio Neves, o principal desafio é fazer com que a população reconheça quando sintomas aparentemente simples deixam de ser passageiros.

 

“Feridas na boca que não cicatrizam em até duas semanas, rouquidão persistente por mais de três semanas, dor ou dificuldade para engolir, manchas brancas ou avermelhadas na boca e caroços no pescoço precisam ser investigados. Nem sempre esses sintomas indicam câncer, mas, quando persistem, não devem ser ignorados”, afirma.

 

A campanha Julho Verde chama atenção justamente para essa necessidade. Os cânceres de cabeça e pescoço incluem tumores que acometem a cavidade oral, orofaringe, laringe, hipofaringe, cavidade nasal, seios da face, nasofaringe e glândulas salivares.

 

Segundo a estimativa mais recente do INCA, o Brasil deverá registrar, a cada ano do triênio 2026-2028, 17.190 novos casos de câncer da cavidade oral e 8.510 de câncer de laringe, dois dos tipos mais frequentes desse grupo de doenças.

 

O tabagismo continua sendo o principal fator de risco, especialmente quando associado ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas. A infecção pelo HPV, sobretudo pelo subtipo 16, também ganhou importância nos últimos anos, principalmente entre pacientes mais jovens com câncer de orofaringe.

 

Exposição solar prolongada, má higiene bucal e determinadas exposições ocupacionais completam a lista dos principais fatores associados à doença.

 

O tempo faz diferença

 

Quando o câncer é identificado nas fases iniciais, as chances de cura aumentam e o tratamento tende a ser menos agressivo. Em muitos casos, também é possível preservar funções essenciais, como fala, mastigação, deglutição e respiração, reduzindo o impacto da doença na qualidade de vida.

 

Não fumar, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, manter boa higiene bucal, proteger os lábios da exposição solar e aderir à vacinação contra o HPV são medidas que ajudam a reduzir o risco da doença.

 

“Ainda vemos muitos pacientes chegarem ao consultório com tumores avançados. Conhecer os sinais de alerta e procurar atendimento sem demora pode mudar completamente o tratamento e aumentar significativamente as chances de cura”, alerta Caio Neves.

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