Dor persistente pode ser o primeiro sinal de um câncer ósseo

 

Foto: Magnific

Embora raro, esse tipo de tumor costuma provocar sintomas que não melhoram com o tempo; reconhecer os sinais precocemente amplia as chances de cura

Dores nos ossos costumam estar relacionadas a lesões, sobrecarga física ou problemas ortopédicos. Em situações mais raras, porém, quando o desconforto persiste, piora com o tempo ou surge acompanhado de inchaço, ele pode indicar um tumor ósseo.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026-2028. Embora os tumores ósseos primários não integrem as estimativas específicas de incidência do instituto por causa da baixa frequência, eles representam menos de 1% de todos os casos de câncer e exigem atenção pelo impacto que o diagnóstico precoce pode ter no tratamento.

Para o coordenador da Oncologia do Hospital Anchieta Taguatinga e médico do Anchieta Unique, Caio Neves, um dos principais desafios é que os primeiros sinais costumam ser confundidos com problemas ortopédicos ou lesões decorrentes da prática de atividade física.

“Nem toda dor óssea significa câncer. O que chama atenção é quando ela persiste por várias semanas, aumenta progressivamente, não melhora com medidas habituais ou vem acompanhada de aumento de volume na região. Nessas situações, é importante procurar avaliação médica”, pondera.

Neste mês, o Julho Amarelo também reforça a importância de ampliar a conscientização sobre os tumores ósseos primários, que têm origem nas próprias células do osso. Entre os principais tipos estão o osteossarcoma, mais frequente em crianças, adolescentes e adultos jovens; o condrossarcoma, que costuma acometer adultos acima dos 40 anos; e o sarcoma de Ewing, mais comum em crianças e adolescentes.

Além da dor persistente, outros sinais merecem atenção, como aumento de volume na região afetada, limitação dos movimentos e fraturas após traumas leves. Em alguns casos, também podem surgir perda de peso e fadiga, embora esses sintomas sejam menos frequentes.

Diagnóstico precoce amplia as chances de cura

A investigação começa pela avaliação clínica e por exames de imagem, como radiografia, tomografia e ressonância magnética. Quando há suspeita da doença, a confirmação depende de uma biópsia, procedimento que deve ser planejado por uma equipe especializada para não comprometer a estratégia cirúrgica.

Identificar o tumor antes que ele aumente de tamanho ou se espalhe para outros órgãos, especialmente os pulmões, amplia as possibilidades de tratamento e melhora significativamente o prognóstico. Em muitos casos, também permite realizar cirurgias capazes de preservar o membro afetado.

O tratamento varia conforme o tipo de tumor, sua localização e o estágio da doença. A cirurgia é a principal abordagem terapêutica e pode ser associada à quimioterapia. Em situações específicas, como no sarcoma de Ewing, a radioterapia também pode fazer parte do tratamento.

“Hoje contamos com equipes multidisciplinares e técnicas cirúrgicas que permitem preservar o membro em grande parte dos pacientes. Embora seja uma doença séria, muitos casos têm possibilidade de cura, principalmente quando o diagnóstico é feito precocemente e o tratamento é realizado em centros especializados”, ressalta Caio Neves.

Na maioria das vezes, esses tumores não estão relacionados a fatores de risco modificáveis, o que dificulta a adoção de medidas específicas de prevenção. Por isso, especialistas reforçam que o principal cuidado é valorizar sintomas persistentes e buscar avaliação médica sempre que a dor, o inchaço ou a limitação dos movimentos não evoluírem como esperado.

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