Fundador da Construtora Conbral e empresário ligado às marcas Lord e Lady, Ennius Muniz relembra mais de cinco décadas de empreendedorismo, fala sobre os desafios de sobreviver às crises econômicas e defende planejamento, reputação e gestão como pilares para a continuidade dos negócios
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O empresário Ennius Muniz, um dos nomes ligados à história do desenvolvimento da construção civil e do comércio do Distrito Federal, foi o convidado do Empreender Brasília Podcast, apresentado pelo jornalista Paulo Melo. Em uma entrevista de aproximadamente uma hora, ele compartilhou experiências acumuladas ao longo de décadas de atuação empresarial, relembrou dificuldades que chegaram a ameaçar a sobrevivência de seus negócios e falou sobre a necessidade de reinvenção para enfrentar as transformações do mercado.
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Fundador da Construtora Conbral, responsável por empreendimentos em diferentes regiões administrativas do Distrito Federal, Ennius também construiu uma trajetória no varejo, especialmente no segmento de beleza e perfumaria, com as marcas Lord e Lady. Sua atuação se estendeu ainda a outros setores da economia e a entidades representativas do setor produtivo.
Ao longo da conversa, o empresário demonstrou que sua história está diretamente relacionada ao crescimento da capital federal. Desde a chegada da família a Brasília, em 1961, acompanhou a expansão urbana, o fortalecimento do comércio, as mudanças econômicas e o surgimento de novas oportunidades empresariais.
Para ele, a capacidade de adaptação é uma das características mais importantes de quem decide empreender.
"Acho que talvez seja a parte mais importante do mundo empresarial: a sua reinvenção. E a parte mais importante da vida pessoal é se reinventar", afirmou.
Segundo Ennius, as transformações exigem disposição para reconhecer dificuldades e coragem para tomar decisões.
"A vida é como ela vem, não é como você quer. E você vai assumindo, aceitando e adaptando. Isso é o mundo empresarial, é dinâmico. A vida é dinâmica, o mundo empresarial é dinâmico", destacou.
De Belo Horizonte para Brasília: o início de uma trajetória
Natural de Belo Horizonte, Minas Gerais, Ennius Muniz chegou a Brasília ainda jovem, acompanhando a decisão do pai de participar do processo de consolidação da nova capital do país.
"Minha história começa em Belo Horizonte. Eu sou um mineiro de Belo Horizonte e meu pai, um juscelinista, acreditou em Brasília e veio para aqui logo no começo. Meu pai veio em 58 e nós viemos em 61", relembrou.
Seu pai era funcionário público e veio trabalhar na estruturação da então Caixa Econômica de Brasília. A trajetória da família, entretanto, passou por dificuldades depois da ruptura política de 1964.
Ennius contou que o pai perdeu o emprego em decorrência de suas ligações políticas com o projeto de Juscelino Kubitschek.
"Na revolução, por ele ser um juscelinista, ele foi demitido", relatou.
A situação financeira obrigou Ennius e o irmão a ingressarem precocemente no mercado de trabalho.
"Eu e meu irmão tivemos que começar a trabalhar muito cedo e isso foi talvez a melhor alavanca que eu podia ter na minha vida", afirmou.
Antes de se tornar empresário, trabalhou em pequenos negócios e como cobrador de um clube. Posteriormente, ingressou no sistema bancário, experiência que considera decisiva para sua formação profissional.
"Meu pai dizia assim: 'Vai trabalhar no banco. O banco é a melhor escola'. E, de fato, banco é a melhor escola", recordou.
Foi no contato diário com empresários e operações financeiras que começou a observar oportunidades na construção civil.
"Lá é que eu vi que as construtoras eram as melhores contas da agência e lá que eu decidi ser construtor. Eu digo: é aqui que vai ser a minha oportunidade de mudar de vida."
O interesse pelo setor influenciou sua formação acadêmica. Apesar de ter sido aprovado no vestibular de engenharia, optou pela arquitetura, curso que concluiu na Universidade de Brasília (UnB).
Ennius também destacou a importância da educação pública em sua trajetória.
"Eu fiz escola pública do pré-primário à UnB", afirmou, ao recordar sua formação escolar em Brasília.
A criação da Construtora Conbral e os riscos de começar a empreender
A entrada de Ennius Muniz na construção civil ocorreu durante sua passagem por uma cooperativa habitacional, quando surgiu a oportunidade de participar da formação de uma empresa com outros quatro sócios.
Assim nasceu a Construtora Conbral.
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O empresário explicou que ingressou na sociedade com participação minoritária, sem compreender completamente os riscos que assumia.
"É engraçado, a dimensão do risco eu compreendi depois que eu estava dentro", contou.
"Eu fui sócio da Conbral, fundador da Conbral, com mais quatro amigos. Quatro conhecidos, porque nós nos juntamos para poder fazer a Conbral."
A combinação entre seus conhecimentos bancários, a experiência no sistema habitacional e a formação em arquitetura contribuiu para a estruturação do negócio.
O primeiro empreendimento da construtora foi um conjunto habitacional no Guará II.
"Participamos da licitação e construímos o primeiro conjunto habitacional do Guará II. Foi o início da Conbral", relatou.
Com o passar dos anos, Ennius adquiriu a participação dos demais sócios e passou a controlar integralmente a empresa.
"Eu comprei a parte de todos os sócios, eu tinha 11% e passei para 100%."
A decisão foi acompanhada por uma frase que, segundo ele, representava sua disposição para enfrentar os riscos empresariais.
"Quebrado com 11% é a mesma coisa que quebrar com 100%. É melhor quebrar sozinho", brincou.
O empresário reconheceu que os primeiros anos foram especialmente desafiadores.
"Eu estava aprendendo a funcionar o avião, consertar o avião voando. Eu tive a primeira crise, essa foi a mais difícil. Eu não tinha experiência."
Para Ennius, o amadurecimento da construção civil trouxe mudanças importantes em relação ao ambiente empresarial existente quando iniciou suas atividades.
"Na minha época era mais amador", afirmou, ao comparar o setor daquele período com o cenário atual, marcado por maiores exigências técnicas, financeiras e de qualificação das empresas.
Ele também ressaltou a longevidade da Conbral, que descreveu como uma das empresas mais antigas em atividade no setor da construção civil de incorporação no Distrito Federal.
"Eu hoje sou a construtora mais antiga do Distrito Federal", declarou.
Sobre a maneira como conduziu a expansão da empresa, resumiu sua filosofia:
"Devagar e sempre, porque, como mineirinho, eu sempre tinha um pé atrás."
Os empreendimentos que ajudaram a transformar Brasília
Durante a entrevista, Ennius Muniz relembrou obras e empreendimentos que marcaram a história da Conbral e contribuíram para o desenvolvimento urbano do Distrito Federal.
Entre os projetos destacados estão a Quadra Parque 311 Norte e o Ilhas do Lago.
O empresário apontou a Quadra Parque 311 Norte como um dos principais marcos de sua trajetória.
"Mas o grande projeto eu acho que foi a Quadra Parque, a 311 Norte", afirmou.
Segundo ele, a operação envolveu um fundo imobiliário e alcançou resultados expressivos.
"Na Norte a gente fez um fundo imobiliário e teve um sucesso absoluto. Foi tido pelos parceiros como um dos melhores negócios da época."
O empreendimento contemplou o desenvolvimento integrado de uma quadra inteira, incluindo urbanismo, paisagismo e edificações.
"Nós desenvolvemos toda a quadra, a parte de urbanismo, tudo fomos nós que fizemos. Está tudo integrado no pacote da obra", explicou.
Ennius informou que o projeto contou com 774 unidades distribuídas em 11 projeções, executadas em aproximadamente seis anos, em parceria com o empresário Paulo Octávio.
Ao dimensionar o porte do empreendimento, estimou que seu valor geral de vendas, em condições atuais, poderia alcançar cerca de R$ 3 bilhões.
Outra realização destacada foi o Ilhas do Lago, empreendimento que, segundo o empresário, alcançou elevada valorização imobiliária.
"Ilhas do Lago foi outro empreendimento de alto sucesso e é hoje um empreendimento de melhor liquidez no mercado", declarou.
Ennius também relembrou a participação da Conbral no processo de expansão de regiões como Guará, Águas Claras, Taguatinga, Ceilândia, Sobradinho, Gama e Noroeste.
Ele destacou o pioneirismo da construtora em diferentes regiões administrativas.
"Nós temos alguns atos pioneiros em Brasília que nos orgulham muito", disse, citando as primeiras autorizações de ocupação relacionadas a obras da empresa no Guará II, em Águas Claras e em Samambaia.
A preferência inicial por empreendimentos fora da região central foi explicada por uma expressão que costumava utilizar.
"Eu dizia que mingau quente se come pelas bordas. Então, eu sempre fui um construtor da cidade-satélite."
Entre os projetos mais recentes mencionados na entrevista, também destacou a Quadra Parque do Gama.
"Estou agora terminando a Quadra Parque do Gama, que foi um sucesso e é um marco na cidade. Mudou o paradigma da cidade", afirmou.
As crises econômicas que quase interromperam a trajetória empresarial
Apesar das conquistas, a história de Ennius Muniz também foi marcada por momentos de grande instabilidade financeira.
O empresário relembrou os efeitos da crise do petróleo, dos planos econômicos brasileiros e das mudanças nas políticas de financiamento habitacional.
Um dos episódios mais difíceis ocorreu no final da década de 1970, quando um empreendimento imobiliário foi afetado pela crise internacional.
"Eu comprei uma área grande, loteei, fazendo um empreendimento misto com prédios e casas, e não decolou por causa da crise do petróleo", relatou.
Segundo Ennius, a instabilidade econômica atingia diretamente a capacidade de planejamento das empresas.
"Depois de crises pesadas, acabava com dificuldade porque novos planos vinham."
Ele também recordou os impactos do Plano Collor, que provocou restrições de liquidez e criou dificuldades para empresas que precisavam manter suas operações e pagar funcionários.
"Você imagina, no Plano Collor, tantos empregados com R$ 50 na conta. É um pânico total", afirmou.
O empresário contou que viveu situações em que precisava escolher quais compromissos financeiros seriam atendidos.
Questionado por Paulo Melo se já havia enfrentado momentos de falta de dinheiro, respondeu:
"Muitas vezes. Muitas vezes."
Ennius também admitiu que, em determinadas circunstâncias, chegou a considerar a possibilidade de perder o patrimônio construído.
"Eu senti o gosto de que podia acontecer isso", declarou.
Para ele, a sobrevivência empresarial depende da capacidade de reconhecer problemas e enfrentá-los com determinação.
"Primeira coisa, você tem que sentar e olhar para o seu negócio e ver onde é que está o problema e tentar resolver."
Em outro momento, recordou uma crise envolvendo o financiamento habitacional, quando, segundo seu relato, a Conbral foi a única sobrevivente entre 11 construtoras de um mesmo grupo de empresas financiadas.
A experiência consolidou uma visão mais cautelosa sobre os riscos financeiros.
"As crises existem, sempre vão existir. Para uns ela é oportunidade, para outros é fim de linha", afirmou.
"Crise é um aperfeiçoamento, é uma espécie de dor do crescimento, das grandes mudanças", acrescentou.
Da construção civil ao varejo: a entrada nas lojas Lord e Lady
A necessidade de reduzir a exposição aos riscos da construção civil levou Ennius Muniz a buscar oportunidades em outros setores.
A decisão de diversificar suas atividades ocorreu especialmente depois das dificuldades enfrentadas no final da década de 1970 e início dos anos 1980.
Ao analisar o comportamento de outros empresários durante as crises, percebeu que aqueles com atividades diversificadas apresentavam maior capacidade de resistência.
"Percebi que vários amigos, já dentro do mundo empresarial, sobreviveram melhor com outras atividades do que a minha", contou.
Foi nesse contexto que começou a procurar oportunidades no varejo.
O empresário revelou que chegou a considerar a aquisição de uma representação da Volkswagen, mas desistiu por não querer depender diretamente das decisões de uma única indústria.
A oportunidade surgiu com a Lord, empresa do segmento de beleza que enfrentava dificuldades.
"E aí surgiu a Lord em dificuldade, em consequência da crise que eu também estava vivendo. O proprietário da Lord estava passando por um momento muito difícil. E aí eu assumi a Lord", relatou.
A entrada no negócio aconteceu em 1980.
"Quando eu saí da crise em 80, eu entrei na Lord como opção."
A decisão foi influenciada por uma experiência extremamente difícil na Conbral.
"Na crise de 80 eu tinha mil e tantos empregados e fiquei com três. Parei tudo, parei a Conbral", revelou.
A partir daquele episódio, decidiu não concentrar novamente todos os recursos em um único ramo de atividade.
"Eu disse: agora eu não vou fazer a mesma coisa", contou.
Apesar da experiência acumulada na construção civil, Ennius precisou aprender praticamente do zero o funcionamento do varejo.
"Eu fui para o chão de loja aprender como é que fazia. Fiz até curso de varejo, comprei livros. Eu entrei mesmo e gostava muito, eu gosto muito do varejo."
A estratégia abriu caminho para uma nova etapa empresarial, que posteriormente incluiu a aquisição da Lady, então concorrente da Lord.
"Depois eu comprei o meu concorrente, que era a Lady", afirmou.
A transformação do mercado de beleza e perfumaria
Ennius explicou que as lojas Lord passaram por mudanças importantes com a abertura do mercado brasileiro aos produtos importados.
Inicialmente, o negócio comercializava produtos populares de beleza e higiene, mas enfrentava concorrência crescente dos supermercados e das redes de farmácias.
A abertura comercial criou a possibilidade de reposicionar as lojas.
"Nós começamos a migrar para o produto importado que começou a entrar", relatou.
Segundo o empresário, essa mudança permitiu que a Lord assumisse características de uma loja especializada em beleza.
"Fomos dando uma característica de lojas especializadas em beleza. Foi uma mudança dentro do varejo muito importante."
A Lady, por sua vez, passou a ocupar um posicionamento diferente, com foco em consumidores das classes A e B e no modelo de franquias.
Ennius explicou que a empresa buscou desenvolver uma operação capaz de transferir conhecimento e métodos de gestão aos franqueados.
Durante a entrevista, informou que a rede mantinha 11 unidades franqueadas e duas lojas próprias utilizadas também para testar práticas comerciais.
O empresário reconheceu, entretanto, que a pandemia provocou dificuldades e levou à redução da rede.
"Chegamos a ser 18, demos uma encolhida na pandemia", explicou.
Para Ennius, o setor de beleza continua em transformação, especialmente diante da entrada de produtos asiáticos e de novas tendências internacionais.
"É um momento de transformação, de observar, de estudar e de analisar o mercado."
O futuro do comércio físico diante do crescimento do e-commerce
Outro tema abordado na conversa foi o impacto das vendas digitais sobre o comércio tradicional.
Ennius reconheceu que o e-commerce transformou a experiência de consumo, oferecendo praticidade e ampliando as alternativas para os clientes.
"O marketplace, o e-commerce, está afetando o varejo geral", destacou.
Segundo ele, a facilidade de adquirir produtos pela internet representa uma concorrência importante para as lojas físicas.
"Às vezes você tem que ir em várias lojas para poder achar um produto, um serviço, que às vezes em um botãozinho você já faz o pedido e chega na sua casa."
Apesar desse cenário, o empresário acredita que o comércio presencial continuará relevante.
"As lojas físicas nunca vão acabar", afirmou.
Na avaliação dele, o atendimento especializado representa um diferencial competitivo, sobretudo em mercados como perfumaria e cosméticos, nos quais a orientação ao consumidor influencia a decisão de compra.
"É fundamental o atendimento. É o que diferencia o varejo hoje do e-commerce."
Ele também acredita que os estabelecimentos físicos precisarão oferecer experiências cada vez mais completas.
"A compra em loja física também vai acabar virando uma experiência", observou.
Ao falar sobre as próximas décadas, apontou a tecnologia como um dos fatores que deverão modificar o relacionamento entre lojas e consumidores.
"A loja vai ser mais tecnológica", afirmou, mencionando equipamentos de análise da pele e inovações aplicadas ao desenvolvimento de perfumes.
Brasília, empreendedorismo e os desafios do desenvolvimento econômico
Por acompanhar Brasília desde os primeiros anos de sua existência, Ennius Muniz apresentou uma avaliação sobre a transformação econômica da capital federal.
Ele recordou que presenciou o desenvolvimento do comércio da W3 e a formação de um mercado consumidor que inicialmente dependia de produtos e serviços oferecidos em outras cidades.
"Eu cheguei em Brasília em 61, eu vi a W3 ser asfaltada, então eu vi o varejo de Brasília acontecer", contou.
Naquele período, segundo ele, o comércio tinha uma função predominantemente voltada ao atendimento das necessidades básicas da população.
O cenário atual, em sua avaliação, é bastante diferente.
"Hoje é uma Brasília de alto nível. Você tem hoje ofertas de nível nacional e até mundial. Você tem lojas especializadas praticamente em todos os setores", declarou.
Entretanto, Ennius demonstrou preocupação com o desempenho econômico recente do Distrito Federal.
Na entrevista, atribuiu parte das dificuldades do comércio e da construção civil à perda de poder aquisitivo da população e às mudanças no comportamento do consumidor.
"Brasília hoje está vivendo este problema e não tem atenção devida", afirmou, ao discutir a perda de renda e seus efeitos sobre o mercado.
Para o empresário, o fortalecimento da economia local depende principalmente da qualidade da administração pública e privada.
Questionado sobre o que falta para Brasília desenvolver ainda mais sua vocação empresarial, respondeu:
"Gestão."
Ele também destacou a localização estratégica da capital, no centro do território nacional, e seu potencial para funcionar como polo de serviços, especialmente na área da saúde.
Ennius lembrou o papel imaginado por Juscelino Kubitschek para a cidade.
"Brasília é trampolim da interiorização", afirmou, ao recuperar a ideia que orientou o desenvolvimento da capital.
Na avaliação do empresário, Brasília deveria aproveitar melhor sua posição geográfica para ampliar sua capacidade de atrair investimentos e gerar oportunidades.
Rentabilidade, planejamento e segurança: as prioridades na gestão empresarial
Ao abordar os princípios que orientam suas decisões, Ennius Muniz demonstrou uma visão baseada na análise das oportunidades, na preservação do patrimônio e no acompanhamento da rentabilidade dos negócios.
Segundo ele, o primeiro aspecto a ser observado em um investimento é a existência de uma oportunidade real.
"O primeiro olhar chama-se oportunidade", explicou.
O empresário também contestou a ideia de que o faturamento, isoladamente, representa a melhor medida de sucesso de uma organização.
"Eu acho que as empresas têm que ser analisadas pela rentabilidade, investimento e retorno, quanto elas rendem sobre o investimento que elas têm", afirmou.
A experiência com crises econômicas contribuiu para reforçar essa postura.
"Nunca me preocupei com o faturamento, com VGV, sempre me preocupei com a rentabilidade e a segurança."
Ennius considera que a disposição para assumir riscos precisa ser equilibrada com a responsabilidade de preservar os resultados conquistados ao longo do tempo.
"Eu acho que o risco a gente assume quando é jovem e quando tem menos a perder", declarou.
"Na medida que você vai conquistando um patrimônio, você tem que ser cada vez mais seguro. A segurança do negócio nunca pode deixar de ser enxergada, de ser vista e analisada."
Para o empresário, crescer de forma sustentável exige disciplina, conhecimento do mercado e atenção permanente às mudanças econômicas.
Caráter, reputação e compromisso com os colaboradores
Ao falar sobre gestão de pessoas, Ennius Muniz destacou a importância da confiança e das relações construídas ao longo dos anos.
Questionado por Paulo Melo sobre o que considera mais importante na contratação de um profissional — currículo ou caráter —, respondeu de forma objetiva:
"Caráter."
O empresário explicou que mantém relações profissionais duradouras com colaboradores, fornecedores e famílias que participaram do desenvolvimento de suas empresas.
"Eu tenho hoje netas. Trabalhou a colaboradora, a filha e hoje está a neta", relatou, ao exemplificar vínculos de diferentes gerações com seus negócios.
Essa continuidade, segundo ele, representa uma responsabilidade que ultrapassa o resultado financeiro.
"Eu tenho um compromisso com essas famílias."
Ennius ressaltou ainda que existem fornecedores com relacionamentos comerciais de aproximadamente três décadas com a Conbral e com a Lord.
"Eu tenho fornecedores de 30 anos na construtora, eu tenho de 30 anos na Lord, e acreditam na nossa operação. Então eu tenho compromisso com essas pessoas."
Na avaliação do empresário, a credibilidade construída ao longo da trajetória é um patrimônio essencial.
Durante o quadro de perguntas rápidas do podcast, ao ser questionado sobre a escolha entre dinheiro e reputação, respondeu:
"Reputação."
E, ao ser perguntado o que o dinheiro não pode comprar, repetiu:
"Reputação."
Sucessão familiar e continuidade dos negócios
A sucessão empresarial foi um dos assuntos mais relevantes da entrevista.
Ennius Muniz contou que seus filhos e seu irmão já desempenham funções importantes na administração das empresas, permitindo que ele assuma um papel mais voltado ao acompanhamento estratégico.
"Hoje estamos trabalhando a sucessão. Meus filhos trabalham comigo há muitos anos", explicou.
O empresário destacou que a família participa diretamente da gestão das operações.
"Minha filha é quem toca a Lord hoje com meu filho. A Conbral é o meu irmão, o meu filho. Eu hoje estou quase como supervisor", comentou, em tom descontraído.
Ele também demonstrou satisfação com a formação profissional dos filhos e a capacidade deles de dar continuidade aos negócios.
"Estão cuidando das empresas melhor que eu", afirmou.
Apesar disso, reconheceu que o processo de transferência de responsabilidades pode ser emocionalmente desafiador para o fundador.
"Eu sou muito atuante, gosto de estar à frente. De repente estou tratando da minha ausência. Foi muito difícil, mas é necessário porque eu tenho que respeitar todo mundo que eu estou inserido."
Segundo Ennius, a continuidade da empresa precisa ser pensada para além da presença de seu fundador.
"Nós somos perecíveis e a empresa não pode morrer junto com você. Ela tem que continuar o projeto, ela é um organismo à parte, tem que continuar."
Para ele, delegar a gestão representa também uma conquista.
"A sucessão é uma realização familiar, é uma realização do negócio que você acreditou e que você investiu, que você dedicou à sua vida."
O empresário afirmou sentir-se privilegiado por contar com a família na administração das empresas.
"Hoje me sinto muito privilegiado por ter o meu irmão e os meus filhos à frente da empresa. Eu sei que eu posso não ir lá, eles estão me substituindo melhor."
A atuação em entidades empresariais, Fecomércio e Senac-DF
Além das atividades empresariais, Ennius Muniz também construiu uma trajetória de participação em organizações representativas do comércio e do setor produtivo.
Durante a entrevista, recordou sua atuação em associações de lojistas de shopping centers, sua passagem pela presidência da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e seu trabalho à frente do Iate Clube de Brasília.
Ele destacou especialmente sua participação na modernização administrativa do clube.
"Criamos uma estrutura empresarial, mudamos o paradigma de comportamento do sócio com o clube, do clube com sócio", afirmou.
Segundo Ennius, a experiência demonstrou a importância de aplicar princípios de gestão profissional também em entidades associativas.
O empresário relatou ainda sua ligação com o Sistema Fecomércio-DF e sua atuação como conselheiro do Senac.
"Hoje estou na Fecomércio e no Senac", destacou.
Ele também falou sobre o convite para integrar essas instituições e a importância de contribuir com organizações que oferecem serviços ao setor produtivo.
"Eu acredito no associativismo", declarou.
Ao avaliar o trabalho desenvolvido pelo Sistema Comércio, Ennius elogiou a atuação das lideranças responsáveis pela expansão dos serviços de qualificação e atendimento empresarial.
O empresário destacou o crescimento do Senac-DF e as mudanças realizadas na estrutura da instituição.
"O Senac, que é onde eu sou conselheiro, cresceu 400% em quatro anos", afirmou, citando números apresentados durante a entrevista.
Segundo ele, houve ampliação da rede de unidades e modernização de suas instalações.
Ennius também destacou a participação do presidente da Fecomércio-DF, José Aparecido, e dos dirigentes envolvidos na transformação das entidades.
Ao comentar a oportunidade de acompanhar essa evolução, afirmou:
"Para mim é um momento muito grato de estar assistindo, estar participando."
O conselho de Ennius Muniz para quem deseja empreender
Na reta final da entrevista, Paulo Melo pediu que Ennius Muniz compartilhasse um conselho com os jovens que desejam ingressar no mundo dos negócios.
O empresário respondeu que o empreendedorismo exige disposição para enfrentar desafios e seguir uma trajetória diferente daquela de quem procura estabilidade e previsibilidade.
"Para você entrar no mundo empresarial, você tem que ter uma vontade de ser diferente", afirmou.
Segundo ele, a atividade empresarial pode proporcionar novas possibilidades de crescimento, mas também exige aceitar riscos.
"Se você quer uma vida de risco, mas que pode te levar a patamares muito acima do que você está vivendo", explicou, ao comparar diferentes caminhos profissionais.
Ennius destacou que o desejo de empreender não substitui a necessidade de preparação.
"Primeira coisa é aceitar o desafio e se propor a vencer as barreiras", afirmou.
Em seguida, reforçou:
"Primeira coisa é estudar. Estudar é fundamental."
Para o empresário, a educação e a busca constante por conhecimento foram determinantes para superar dificuldades que surgiram em diferentes momentos de sua trajetória.
Coragem para empreender, planejamento para continuar
Durante o quadro "Sem Filtro", em que o convidado respondeu a perguntas rápidas, Ennius Muniz sintetizou parte de sua visão empresarial.
Ao escolher entre empreender por sonho ou necessidade, respondeu:
"Por necessidade."
Questionado sobre coragem ou planejamento, afirmou:
"Aí tem que ser os dois."
Entre crescer ou sobreviver, optou por:
"Sobreviver sempre."
Ao falar sobre intuição ou números, destacou:
"Números."
Quando Paulo Melo perguntou se uma crise representa medo ou oportunidade, a resposta foi:
"Oportunidade."
Sobre vender muito ou vender bem, respondeu:
"Vender bem."
E, ao ser questionado sobre a característica indispensável a quem deseja empreender, resumiu:
"Coragem."
Para Ennius, a experiência mostrou que a sobrevivência é uma etapa fundamental para qualquer negócio que deseja construir uma trajetória duradoura.
Família, trabalho e legado: o significado do sucesso
Ao refletir sobre o significado do sucesso, Ennius Muniz afirmou que a realização empresarial não pode ser medida exclusivamente pela expansão patrimonial ou pelos resultados financeiros.
Para ele, a família representa o principal elemento de sua trajetória pessoal e profissional.
"A família é a grande âncora, é o seu refúgio diário", afirmou.
O empresário explicou que, ao longo da vida, procurou integrar a família às atividades empresariais, como forma de conciliar trabalho, convivência e construção de um legado.
"Minha empresa é uma empresa familiar", destacou.
Segundo Ennius, essa escolha também esteve relacionada à dedicação intensa exigida pelo desenvolvimento dos negócios.
"A melhor coisa foi trazer a família para dentro da empresa", relatou.
Ao ser questionado sobre o que lhe proporciona maior orgulho, destacou a importância de preservar os negócios durante as dificuldades, mas também valorizou a realização de construir algo que possa permanecer.
"O que você preservou no momento difícil é muito importante, mas o que você construiu é muito importante."
Para ele, o maior resultado de sua caminhada está na união entre família, empresas e continuidade.
"A verdadeira realização é isso, é a família, empresa, a sucessão, a realização. E isso é que me deu vida. Me dá vida."
"Brasília é oportunidade": a mensagem final de Ennius Muniz
No encerramento do Empreender Brasília Podcast, Ennius Muniz agradeceu ao apresentador Paulo Melo pelo convite e reforçou a importância do empreendedorismo para o desenvolvimento econômico e social do país.
O empresário aproveitou o momento para incentivar as novas gerações a buscarem qualificação e oportunidades de negócios.
"E para os jovens, o que eu posso dizer é que se preparem e tentem ser empreendedores", afirmou.
Segundo ele, a atividade empresarial desempenha papel fundamental na geração de riqueza e no financiamento das políticas públicas.
"A comunidade precisa muito dos empreendedores", declarou.
Ennius também ressaltou que empreender oferece a possibilidade de alcançar realizações que ultrapassam os resultados financeiros.
"Produzindo, você tem a oportunidade de viver uma outra vida, de realização, de capacitação, de ver o mundo por outros âmbitos."
Ao sintetizar sua relação com a cidade onde construiu sua história empresarial, deixou uma mensagem otimista:
"Brasília é oportunidade."
Ao encerrar a entrevista, Paulo Melo destacou que a trajetória do empresário demonstra uma dimensão importante do empreendedorismo: a capacidade de mudar de direção quando as circunstâncias exigem.
A história de Ennius Muniz revela que construir empresas exige mais do que identificar oportunidades. É necessário enfrentar crises, assumir responsabilidades, aprender com os erros, preservar relações de confiança e preparar os negócios para continuar existindo além da geração que os fundou.
Da construção civil ao varejo, das dificuldades financeiras à diversificação empresarial, Ennius Muniz construiu uma trajetória marcada pela coragem de recomeçar e pela convicção de que sobreviver também é uma forma de vencer.
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O empresário Ennius Muniz, um dos nomes ligados à história do desenvolvimento da construção civil e do comércio do Distrito Federal, foi o convidado do Empreender Brasília Podcast, apresentado pelo jornalista Paulo Melo. Em uma entrevista de aproximadamente uma hora, ele compartilhou experiências acumuladas ao longo de décadas de atuação empresarial, relembrou dificuldades que chegaram a ameaçar a sobrevivência de seus negócios e falou sobre a necessidade de reinvenção para enfrentar as transformações do mercado.
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Fundador da Construtora Conbral, responsável por empreendimentos em diferentes regiões administrativas do Distrito Federal, Ennius também construiu uma trajetória no varejo, especialmente no segmento de beleza e perfumaria, com as marcas Lord e Lady. Sua atuação se estendeu ainda a outros setores da economia e a entidades representativas do setor produtivo.
Ao longo da conversa, o empresário demonstrou que sua história está diretamente relacionada ao crescimento da capital federal. Desde a chegada da família a Brasília, em 1961, acompanhou a expansão urbana, o fortalecimento do comércio, as mudanças econômicas e o surgimento de novas oportunidades empresariais.
Para ele, a capacidade de adaptação é uma das características mais importantes de quem decide empreender.
"Acho que talvez seja a parte mais importante do mundo empresarial: a sua reinvenção. E a parte mais importante da vida pessoal é se reinventar", afirmou.
Segundo Ennius, as transformações exigem disposição para reconhecer dificuldades e coragem para tomar decisões.
"A vida é como ela vem, não é como você quer. E você vai assumindo, aceitando e adaptando. Isso é o mundo empresarial, é dinâmico. A vida é dinâmica, o mundo empresarial é dinâmico", destacou.
De Belo Horizonte para Brasília: o início de uma trajetória
Natural de Belo Horizonte, Minas Gerais, Ennius Muniz chegou a Brasília ainda jovem, acompanhando a decisão do pai de participar do processo de consolidação da nova capital do país.
"Minha história começa em Belo Horizonte. Eu sou um mineiro de Belo Horizonte e meu pai, um juscelinista, acreditou em Brasília e veio para aqui logo no começo. Meu pai veio em 58 e nós viemos em 61", relembrou.
Seu pai era funcionário público e veio trabalhar na estruturação da então Caixa Econômica de Brasília. A trajetória da família, entretanto, passou por dificuldades depois da ruptura política de 1964.
Ennius contou que o pai perdeu o emprego em decorrência de suas ligações políticas com o projeto de Juscelino Kubitschek.
"Na revolução, por ele ser um juscelinista, ele foi demitido", relatou.
A situação financeira obrigou Ennius e o irmão a ingressarem precocemente no mercado de trabalho.
"Eu e meu irmão tivemos que começar a trabalhar muito cedo e isso foi talvez a melhor alavanca que eu podia ter na minha vida", afirmou.
Antes de se tornar empresário, trabalhou em pequenos negócios e como cobrador de um clube. Posteriormente, ingressou no sistema bancário, experiência que considera decisiva para sua formação profissional.
"Meu pai dizia assim: 'Vai trabalhar no banco. O banco é a melhor escola'. E, de fato, banco é a melhor escola", recordou.
Foi no contato diário com empresários e operações financeiras que começou a observar oportunidades na construção civil.
"Lá é que eu vi que as construtoras eram as melhores contas da agência e lá que eu decidi ser construtor. Eu digo: é aqui que vai ser a minha oportunidade de mudar de vida."
O interesse pelo setor influenciou sua formação acadêmica. Apesar de ter sido aprovado no vestibular de engenharia, optou pela arquitetura, curso que concluiu na Universidade de Brasília (UnB).
Ennius também destacou a importância da educação pública em sua trajetória.
"Eu fiz escola pública do pré-primário à UnB", afirmou, ao recordar sua formação escolar em Brasília.
A criação da Construtora Conbral e os riscos de começar a empreender
A entrada de Ennius Muniz na construção civil ocorreu durante sua passagem por uma cooperativa habitacional, quando surgiu a oportunidade de participar da formação de uma empresa com outros quatro sócios.
Assim nasceu a Construtora Conbral.
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O empresário explicou que ingressou na sociedade com participação minoritária, sem compreender completamente os riscos que assumia.
"É engraçado, a dimensão do risco eu compreendi depois que eu estava dentro", contou.
"Eu fui sócio da Conbral, fundador da Conbral, com mais quatro amigos. Quatro conhecidos, porque nós nos juntamos para poder fazer a Conbral."
A combinação entre seus conhecimentos bancários, a experiência no sistema habitacional e a formação em arquitetura contribuiu para a estruturação do negócio.
O primeiro empreendimento da construtora foi um conjunto habitacional no Guará II.
"Participamos da licitação e construímos o primeiro conjunto habitacional do Guará II. Foi o início da Conbral", relatou.
Com o passar dos anos, Ennius adquiriu a participação dos demais sócios e passou a controlar integralmente a empresa.
"Eu comprei a parte de todos os sócios, eu tinha 11% e passei para 100%."
A decisão foi acompanhada por uma frase que, segundo ele, representava sua disposição para enfrentar os riscos empresariais.
"Quebrado com 11% é a mesma coisa que quebrar com 100%. É melhor quebrar sozinho", brincou.
O empresário reconheceu que os primeiros anos foram especialmente desafiadores.
"Eu estava aprendendo a funcionar o avião, consertar o avião voando. Eu tive a primeira crise, essa foi a mais difícil. Eu não tinha experiência."
Para Ennius, o amadurecimento da construção civil trouxe mudanças importantes em relação ao ambiente empresarial existente quando iniciou suas atividades.
"Na minha época era mais amador", afirmou, ao comparar o setor daquele período com o cenário atual, marcado por maiores exigências técnicas, financeiras e de qualificação das empresas.
Ele também ressaltou a longevidade da Conbral, que descreveu como uma das empresas mais antigas em atividade no setor da construção civil de incorporação no Distrito Federal.
"Eu hoje sou a construtora mais antiga do Distrito Federal", declarou.
Sobre a maneira como conduziu a expansão da empresa, resumiu sua filosofia:
"Devagar e sempre, porque, como mineirinho, eu sempre tinha um pé atrás."
Os empreendimentos que ajudaram a transformar Brasília
Durante a entrevista, Ennius Muniz relembrou obras e empreendimentos que marcaram a história da Conbral e contribuíram para o desenvolvimento urbano do Distrito Federal.
Entre os projetos destacados estão a Quadra Parque 311 Norte e o Ilhas do Lago.
O empresário apontou a Quadra Parque 311 Norte como um dos principais marcos de sua trajetória.
"Mas o grande projeto eu acho que foi a Quadra Parque, a 311 Norte", afirmou.
Segundo ele, a operação envolveu um fundo imobiliário e alcançou resultados expressivos.
"Na Norte a gente fez um fundo imobiliário e teve um sucesso absoluto. Foi tido pelos parceiros como um dos melhores negócios da época."
O empreendimento contemplou o desenvolvimento integrado de uma quadra inteira, incluindo urbanismo, paisagismo e edificações.
"Nós desenvolvemos toda a quadra, a parte de urbanismo, tudo fomos nós que fizemos. Está tudo integrado no pacote da obra", explicou.
Ennius informou que o projeto contou com 774 unidades distribuídas em 11 projeções, executadas em aproximadamente seis anos, em parceria com o empresário Paulo Octávio.
Ao dimensionar o porte do empreendimento, estimou que seu valor geral de vendas, em condições atuais, poderia alcançar cerca de R$ 3 bilhões.
Outra realização destacada foi o Ilhas do Lago, empreendimento que, segundo o empresário, alcançou elevada valorização imobiliária.
"Ilhas do Lago foi outro empreendimento de alto sucesso e é hoje um empreendimento de melhor liquidez no mercado", declarou.
Ennius também relembrou a participação da Conbral no processo de expansão de regiões como Guará, Águas Claras, Taguatinga, Ceilândia, Sobradinho, Gama e Noroeste.
Ele destacou o pioneirismo da construtora em diferentes regiões administrativas.
"Nós temos alguns atos pioneiros em Brasília que nos orgulham muito", disse, citando as primeiras autorizações de ocupação relacionadas a obras da empresa no Guará II, em Águas Claras e em Samambaia.
A preferência inicial por empreendimentos fora da região central foi explicada por uma expressão que costumava utilizar.
"Eu dizia que mingau quente se come pelas bordas. Então, eu sempre fui um construtor da cidade-satélite."
Entre os projetos mais recentes mencionados na entrevista, também destacou a Quadra Parque do Gama.
"Estou agora terminando a Quadra Parque do Gama, que foi um sucesso e é um marco na cidade. Mudou o paradigma da cidade", afirmou.
As crises econômicas que quase interromperam a trajetória empresarial
Apesar das conquistas, a história de Ennius Muniz também foi marcada por momentos de grande instabilidade financeira.
O empresário relembrou os efeitos da crise do petróleo, dos planos econômicos brasileiros e das mudanças nas políticas de financiamento habitacional.
Um dos episódios mais difíceis ocorreu no final da década de 1970, quando um empreendimento imobiliário foi afetado pela crise internacional.
"Eu comprei uma área grande, loteei, fazendo um empreendimento misto com prédios e casas, e não decolou por causa da crise do petróleo", relatou.
Segundo Ennius, a instabilidade econômica atingia diretamente a capacidade de planejamento das empresas.
"Depois de crises pesadas, acabava com dificuldade porque novos planos vinham."
Ele também recordou os impactos do Plano Collor, que provocou restrições de liquidez e criou dificuldades para empresas que precisavam manter suas operações e pagar funcionários.
"Você imagina, no Plano Collor, tantos empregados com R$ 50 na conta. É um pânico total", afirmou.
O empresário contou que viveu situações em que precisava escolher quais compromissos financeiros seriam atendidos.
Questionado por Paulo Melo se já havia enfrentado momentos de falta de dinheiro, respondeu:
"Muitas vezes. Muitas vezes."
Ennius também admitiu que, em determinadas circunstâncias, chegou a considerar a possibilidade de perder o patrimônio construído.
"Eu senti o gosto de que podia acontecer isso", declarou.
Para ele, a sobrevivência empresarial depende da capacidade de reconhecer problemas e enfrentá-los com determinação.
"Primeira coisa, você tem que sentar e olhar para o seu negócio e ver onde é que está o problema e tentar resolver."
Em outro momento, recordou uma crise envolvendo o financiamento habitacional, quando, segundo seu relato, a Conbral foi a única sobrevivente entre 11 construtoras de um mesmo grupo de empresas financiadas.
A experiência consolidou uma visão mais cautelosa sobre os riscos financeiros.
"As crises existem, sempre vão existir. Para uns ela é oportunidade, para outros é fim de linha", afirmou.
"Crise é um aperfeiçoamento, é uma espécie de dor do crescimento, das grandes mudanças", acrescentou.
Da construção civil ao varejo: a entrada nas lojas Lord e Lady
A necessidade de reduzir a exposição aos riscos da construção civil levou Ennius Muniz a buscar oportunidades em outros setores.
A decisão de diversificar suas atividades ocorreu especialmente depois das dificuldades enfrentadas no final da década de 1970 e início dos anos 1980.
Ao analisar o comportamento de outros empresários durante as crises, percebeu que aqueles com atividades diversificadas apresentavam maior capacidade de resistência.
"Percebi que vários amigos, já dentro do mundo empresarial, sobreviveram melhor com outras atividades do que a minha", contou.
Foi nesse contexto que começou a procurar oportunidades no varejo.
O empresário revelou que chegou a considerar a aquisição de uma representação da Volkswagen, mas desistiu por não querer depender diretamente das decisões de uma única indústria.
A oportunidade surgiu com a Lord, empresa do segmento de beleza que enfrentava dificuldades.
"E aí surgiu a Lord em dificuldade, em consequência da crise que eu também estava vivendo. O proprietário da Lord estava passando por um momento muito difícil. E aí eu assumi a Lord", relatou.
A entrada no negócio aconteceu em 1980.
"Quando eu saí da crise em 80, eu entrei na Lord como opção."
A decisão foi influenciada por uma experiência extremamente difícil na Conbral.
"Na crise de 80 eu tinha mil e tantos empregados e fiquei com três. Parei tudo, parei a Conbral", revelou.
A partir daquele episódio, decidiu não concentrar novamente todos os recursos em um único ramo de atividade.
"Eu disse: agora eu não vou fazer a mesma coisa", contou.
Apesar da experiência acumulada na construção civil, Ennius precisou aprender praticamente do zero o funcionamento do varejo.
"Eu fui para o chão de loja aprender como é que fazia. Fiz até curso de varejo, comprei livros. Eu entrei mesmo e gostava muito, eu gosto muito do varejo."
A estratégia abriu caminho para uma nova etapa empresarial, que posteriormente incluiu a aquisição da Lady, então concorrente da Lord.
"Depois eu comprei o meu concorrente, que era a Lady", afirmou.
A transformação do mercado de beleza e perfumaria
Ennius explicou que as lojas Lord passaram por mudanças importantes com a abertura do mercado brasileiro aos produtos importados.
Inicialmente, o negócio comercializava produtos populares de beleza e higiene, mas enfrentava concorrência crescente dos supermercados e das redes de farmácias.
A abertura comercial criou a possibilidade de reposicionar as lojas.
"Nós começamos a migrar para o produto importado que começou a entrar", relatou.
Segundo o empresário, essa mudança permitiu que a Lord assumisse características de uma loja especializada em beleza.
"Fomos dando uma característica de lojas especializadas em beleza. Foi uma mudança dentro do varejo muito importante."
A Lady, por sua vez, passou a ocupar um posicionamento diferente, com foco em consumidores das classes A e B e no modelo de franquias.
Ennius explicou que a empresa buscou desenvolver uma operação capaz de transferir conhecimento e métodos de gestão aos franqueados.
Durante a entrevista, informou que a rede mantinha 11 unidades franqueadas e duas lojas próprias utilizadas também para testar práticas comerciais.
O empresário reconheceu, entretanto, que a pandemia provocou dificuldades e levou à redução da rede.
"Chegamos a ser 18, demos uma encolhida na pandemia", explicou.
Para Ennius, o setor de beleza continua em transformação, especialmente diante da entrada de produtos asiáticos e de novas tendências internacionais.
"É um momento de transformação, de observar, de estudar e de analisar o mercado."
O futuro do comércio físico diante do crescimento do e-commerce
Outro tema abordado na conversa foi o impacto das vendas digitais sobre o comércio tradicional.
Ennius reconheceu que o e-commerce transformou a experiência de consumo, oferecendo praticidade e ampliando as alternativas para os clientes.
"O marketplace, o e-commerce, está afetando o varejo geral", destacou.
Segundo ele, a facilidade de adquirir produtos pela internet representa uma concorrência importante para as lojas físicas.
"Às vezes você tem que ir em várias lojas para poder achar um produto, um serviço, que às vezes em um botãozinho você já faz o pedido e chega na sua casa."
Apesar desse cenário, o empresário acredita que o comércio presencial continuará relevante.
"As lojas físicas nunca vão acabar", afirmou.
Na avaliação dele, o atendimento especializado representa um diferencial competitivo, sobretudo em mercados como perfumaria e cosméticos, nos quais a orientação ao consumidor influencia a decisão de compra.
"É fundamental o atendimento. É o que diferencia o varejo hoje do e-commerce."
Ele também acredita que os estabelecimentos físicos precisarão oferecer experiências cada vez mais completas.
"A compra em loja física também vai acabar virando uma experiência", observou.
Ao falar sobre as próximas décadas, apontou a tecnologia como um dos fatores que deverão modificar o relacionamento entre lojas e consumidores.
"A loja vai ser mais tecnológica", afirmou, mencionando equipamentos de análise da pele e inovações aplicadas ao desenvolvimento de perfumes.
Brasília, empreendedorismo e os desafios do desenvolvimento econômico
Por acompanhar Brasília desde os primeiros anos de sua existência, Ennius Muniz apresentou uma avaliação sobre a transformação econômica da capital federal.
Ele recordou que presenciou o desenvolvimento do comércio da W3 e a formação de um mercado consumidor que inicialmente dependia de produtos e serviços oferecidos em outras cidades.
"Eu cheguei em Brasília em 61, eu vi a W3 ser asfaltada, então eu vi o varejo de Brasília acontecer", contou.
Naquele período, segundo ele, o comércio tinha uma função predominantemente voltada ao atendimento das necessidades básicas da população.
O cenário atual, em sua avaliação, é bastante diferente.
"Hoje é uma Brasília de alto nível. Você tem hoje ofertas de nível nacional e até mundial. Você tem lojas especializadas praticamente em todos os setores", declarou.
Entretanto, Ennius demonstrou preocupação com o desempenho econômico recente do Distrito Federal.
Na entrevista, atribuiu parte das dificuldades do comércio e da construção civil à perda de poder aquisitivo da população e às mudanças no comportamento do consumidor.
"Brasília hoje está vivendo este problema e não tem atenção devida", afirmou, ao discutir a perda de renda e seus efeitos sobre o mercado.
Para o empresário, o fortalecimento da economia local depende principalmente da qualidade da administração pública e privada.
Questionado sobre o que falta para Brasília desenvolver ainda mais sua vocação empresarial, respondeu:
"Gestão."
Ele também destacou a localização estratégica da capital, no centro do território nacional, e seu potencial para funcionar como polo de serviços, especialmente na área da saúde.
Ennius lembrou o papel imaginado por Juscelino Kubitschek para a cidade.
"Brasília é trampolim da interiorização", afirmou, ao recuperar a ideia que orientou o desenvolvimento da capital.
Na avaliação do empresário, Brasília deveria aproveitar melhor sua posição geográfica para ampliar sua capacidade de atrair investimentos e gerar oportunidades.
Rentabilidade, planejamento e segurança: as prioridades na gestão empresarial
Ao abordar os princípios que orientam suas decisões, Ennius Muniz demonstrou uma visão baseada na análise das oportunidades, na preservação do patrimônio e no acompanhamento da rentabilidade dos negócios.
Segundo ele, o primeiro aspecto a ser observado em um investimento é a existência de uma oportunidade real.
"O primeiro olhar chama-se oportunidade", explicou.
O empresário também contestou a ideia de que o faturamento, isoladamente, representa a melhor medida de sucesso de uma organização.
"Eu acho que as empresas têm que ser analisadas pela rentabilidade, investimento e retorno, quanto elas rendem sobre o investimento que elas têm", afirmou.
A experiência com crises econômicas contribuiu para reforçar essa postura.
"Nunca me preocupei com o faturamento, com VGV, sempre me preocupei com a rentabilidade e a segurança."
Ennius considera que a disposição para assumir riscos precisa ser equilibrada com a responsabilidade de preservar os resultados conquistados ao longo do tempo.
"Eu acho que o risco a gente assume quando é jovem e quando tem menos a perder", declarou.
"Na medida que você vai conquistando um patrimônio, você tem que ser cada vez mais seguro. A segurança do negócio nunca pode deixar de ser enxergada, de ser vista e analisada."
Para o empresário, crescer de forma sustentável exige disciplina, conhecimento do mercado e atenção permanente às mudanças econômicas.
Caráter, reputação e compromisso com os colaboradores
Ao falar sobre gestão de pessoas, Ennius Muniz destacou a importância da confiança e das relações construídas ao longo dos anos.
Questionado por Paulo Melo sobre o que considera mais importante na contratação de um profissional — currículo ou caráter —, respondeu de forma objetiva:
"Caráter."
O empresário explicou que mantém relações profissionais duradouras com colaboradores, fornecedores e famílias que participaram do desenvolvimento de suas empresas.
"Eu tenho hoje netas. Trabalhou a colaboradora, a filha e hoje está a neta", relatou, ao exemplificar vínculos de diferentes gerações com seus negócios.
Essa continuidade, segundo ele, representa uma responsabilidade que ultrapassa o resultado financeiro.
"Eu tenho um compromisso com essas famílias."
Ennius ressaltou ainda que existem fornecedores com relacionamentos comerciais de aproximadamente três décadas com a Conbral e com a Lord.
"Eu tenho fornecedores de 30 anos na construtora, eu tenho de 30 anos na Lord, e acreditam na nossa operação. Então eu tenho compromisso com essas pessoas."
Na avaliação do empresário, a credibilidade construída ao longo da trajetória é um patrimônio essencial.
Durante o quadro de perguntas rápidas do podcast, ao ser questionado sobre a escolha entre dinheiro e reputação, respondeu:
"Reputação."
E, ao ser perguntado o que o dinheiro não pode comprar, repetiu:
"Reputação."
Sucessão familiar e continuidade dos negócios
A sucessão empresarial foi um dos assuntos mais relevantes da entrevista.
Ennius Muniz contou que seus filhos e seu irmão já desempenham funções importantes na administração das empresas, permitindo que ele assuma um papel mais voltado ao acompanhamento estratégico.
"Hoje estamos trabalhando a sucessão. Meus filhos trabalham comigo há muitos anos", explicou.
O empresário destacou que a família participa diretamente da gestão das operações.
"Minha filha é quem toca a Lord hoje com meu filho. A Conbral é o meu irmão, o meu filho. Eu hoje estou quase como supervisor", comentou, em tom descontraído.
Ele também demonstrou satisfação com a formação profissional dos filhos e a capacidade deles de dar continuidade aos negócios.
"Estão cuidando das empresas melhor que eu", afirmou.
Apesar disso, reconheceu que o processo de transferência de responsabilidades pode ser emocionalmente desafiador para o fundador.
"Eu sou muito atuante, gosto de estar à frente. De repente estou tratando da minha ausência. Foi muito difícil, mas é necessário porque eu tenho que respeitar todo mundo que eu estou inserido."
Segundo Ennius, a continuidade da empresa precisa ser pensada para além da presença de seu fundador.
"Nós somos perecíveis e a empresa não pode morrer junto com você. Ela tem que continuar o projeto, ela é um organismo à parte, tem que continuar."
Para ele, delegar a gestão representa também uma conquista.
"A sucessão é uma realização familiar, é uma realização do negócio que você acreditou e que você investiu, que você dedicou à sua vida."
O empresário afirmou sentir-se privilegiado por contar com a família na administração das empresas.
"Hoje me sinto muito privilegiado por ter o meu irmão e os meus filhos à frente da empresa. Eu sei que eu posso não ir lá, eles estão me substituindo melhor."
A atuação em entidades empresariais, Fecomércio e Senac-DF
Além das atividades empresariais, Ennius Muniz também construiu uma trajetória de participação em organizações representativas do comércio e do setor produtivo.
Durante a entrevista, recordou sua atuação em associações de lojistas de shopping centers, sua passagem pela presidência da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e seu trabalho à frente do Iate Clube de Brasília.
Ele destacou especialmente sua participação na modernização administrativa do clube.
"Criamos uma estrutura empresarial, mudamos o paradigma de comportamento do sócio com o clube, do clube com sócio", afirmou.
Segundo Ennius, a experiência demonstrou a importância de aplicar princípios de gestão profissional também em entidades associativas.
O empresário relatou ainda sua ligação com o Sistema Fecomércio-DF e sua atuação como conselheiro do Senac.
"Hoje estou na Fecomércio e no Senac", destacou.
Ele também falou sobre o convite para integrar essas instituições e a importância de contribuir com organizações que oferecem serviços ao setor produtivo.
"Eu acredito no associativismo", declarou.
Ao avaliar o trabalho desenvolvido pelo Sistema Comércio, Ennius elogiou a atuação das lideranças responsáveis pela expansão dos serviços de qualificação e atendimento empresarial.
O empresário destacou o crescimento do Senac-DF e as mudanças realizadas na estrutura da instituição.
"O Senac, que é onde eu sou conselheiro, cresceu 400% em quatro anos", afirmou, citando números apresentados durante a entrevista.
Segundo ele, houve ampliação da rede de unidades e modernização de suas instalações.
Ennius também destacou a participação do presidente da Fecomércio-DF, José Aparecido, e dos dirigentes envolvidos na transformação das entidades.
Ao comentar a oportunidade de acompanhar essa evolução, afirmou:
"Para mim é um momento muito grato de estar assistindo, estar participando."
O conselho de Ennius Muniz para quem deseja empreender
Na reta final da entrevista, Paulo Melo pediu que Ennius Muniz compartilhasse um conselho com os jovens que desejam ingressar no mundo dos negócios.
O empresário respondeu que o empreendedorismo exige disposição para enfrentar desafios e seguir uma trajetória diferente daquela de quem procura estabilidade e previsibilidade.
"Para você entrar no mundo empresarial, você tem que ter uma vontade de ser diferente", afirmou.
Segundo ele, a atividade empresarial pode proporcionar novas possibilidades de crescimento, mas também exige aceitar riscos.
"Se você quer uma vida de risco, mas que pode te levar a patamares muito acima do que você está vivendo", explicou, ao comparar diferentes caminhos profissionais.
Ennius destacou que o desejo de empreender não substitui a necessidade de preparação.
"Primeira coisa é aceitar o desafio e se propor a vencer as barreiras", afirmou.
Em seguida, reforçou:
"Primeira coisa é estudar. Estudar é fundamental."
Para o empresário, a educação e a busca constante por conhecimento foram determinantes para superar dificuldades que surgiram em diferentes momentos de sua trajetória.
Coragem para empreender, planejamento para continuar
Durante o quadro "Sem Filtro", em que o convidado respondeu a perguntas rápidas, Ennius Muniz sintetizou parte de sua visão empresarial.
Ao escolher entre empreender por sonho ou necessidade, respondeu:
"Por necessidade."
Questionado sobre coragem ou planejamento, afirmou:
"Aí tem que ser os dois."
Entre crescer ou sobreviver, optou por:
"Sobreviver sempre."
Ao falar sobre intuição ou números, destacou:
"Números."
Quando Paulo Melo perguntou se uma crise representa medo ou oportunidade, a resposta foi:
"Oportunidade."
Sobre vender muito ou vender bem, respondeu:
"Vender bem."
E, ao ser questionado sobre a característica indispensável a quem deseja empreender, resumiu:
"Coragem."
Para Ennius, a experiência mostrou que a sobrevivência é uma etapa fundamental para qualquer negócio que deseja construir uma trajetória duradoura.
Família, trabalho e legado: o significado do sucesso
Ao refletir sobre o significado do sucesso, Ennius Muniz afirmou que a realização empresarial não pode ser medida exclusivamente pela expansão patrimonial ou pelos resultados financeiros.
Para ele, a família representa o principal elemento de sua trajetória pessoal e profissional.
"A família é a grande âncora, é o seu refúgio diário", afirmou.
O empresário explicou que, ao longo da vida, procurou integrar a família às atividades empresariais, como forma de conciliar trabalho, convivência e construção de um legado.
"Minha empresa é uma empresa familiar", destacou.
Segundo Ennius, essa escolha também esteve relacionada à dedicação intensa exigida pelo desenvolvimento dos negócios.
"A melhor coisa foi trazer a família para dentro da empresa", relatou.
Ao ser questionado sobre o que lhe proporciona maior orgulho, destacou a importância de preservar os negócios durante as dificuldades, mas também valorizou a realização de construir algo que possa permanecer.
"O que você preservou no momento difícil é muito importante, mas o que você construiu é muito importante."
Para ele, o maior resultado de sua caminhada está na união entre família, empresas e continuidade.
"A verdadeira realização é isso, é a família, empresa, a sucessão, a realização. E isso é que me deu vida. Me dá vida."
"Brasília é oportunidade": a mensagem final de Ennius Muniz
No encerramento do Empreender Brasília Podcast, Ennius Muniz agradeceu ao apresentador Paulo Melo pelo convite e reforçou a importância do empreendedorismo para o desenvolvimento econômico e social do país.
O empresário aproveitou o momento para incentivar as novas gerações a buscarem qualificação e oportunidades de negócios.
"E para os jovens, o que eu posso dizer é que se preparem e tentem ser empreendedores", afirmou.
Segundo ele, a atividade empresarial desempenha papel fundamental na geração de riqueza e no financiamento das políticas públicas.
"A comunidade precisa muito dos empreendedores", declarou.
Ennius também ressaltou que empreender oferece a possibilidade de alcançar realizações que ultrapassam os resultados financeiros.
"Produzindo, você tem a oportunidade de viver uma outra vida, de realização, de capacitação, de ver o mundo por outros âmbitos."
Ao sintetizar sua relação com a cidade onde construiu sua história empresarial, deixou uma mensagem otimista:
"Brasília é oportunidade."
Ao encerrar a entrevista, Paulo Melo destacou que a trajetória do empresário demonstra uma dimensão importante do empreendedorismo: a capacidade de mudar de direção quando as circunstâncias exigem.
A história de Ennius Muniz revela que construir empresas exige mais do que identificar oportunidades. É necessário enfrentar crises, assumir responsabilidades, aprender com os erros, preservar relações de confiança e preparar os negócios para continuar existindo além da geração que os fundou.
Da construção civil ao varejo, das dificuldades financeiras à diversificação empresarial, Ennius Muniz construiu uma trajetória marcada pela coragem de recomeçar e pela convicção de que sobreviver também é uma forma de vencer.
Empreender Brasília Podcast
Apresentação: Paulo Melo
Entrevistado: Ennius Muniz
Tema: Empreendedorismo, construção civil, comércio, gestão, crises econômicas, sucessão empresarial e desenvolvimento de Brasília.
Apresentação: Paulo Melo
Entrevistado: Ennius Muniz
Tema: Empreendedorismo, construção civil, comércio, gestão, crises econômicas, sucessão empresarial e desenvolvimento de Brasília.
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