Banco digital tem proposta voltada à inclusão e ao apoio a pessoas com deficiência; projeto conta com o apoio da governadora Celina Leão e pretende contribuir para ampliar a geração de trabalho e renda no DF
O Guará pode receber uma das primeiras bases de expansão do Parabank no Distrito Federal. Nesta segunda-feira (5/10), Jiovane Lopes esteve na cidade para apresentar o projeto do banco digital, que pretende ampliar sua atuação pelo país e vê Brasília como um dos pontos estratégicos desse processo.
Criado em São Bernardo do Campo (SP), em 2024, o Parabank tem entre suas propostas ampliar o acesso a serviços financeiros e desenvolver ações direcionadas a pessoas com deficiência, paratletas e outros públicos que enfrentam dificuldades de acesso ao crédito e a oportunidades econômicas.
A chegada do projeto ao Distrito Federal conta com o apoio da governadora Celina Leão e, segundo seus idealizadores, pode contribuir para a geração de trabalho e renda, além de fortalecer iniciativas de inclusão social e econômica.
Durante a visita ao Guará, Jiovane Lopes apresentou detalhes do modelo de expansão. Segundo ele, existe uma solicitação de aporte de R$ 100 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ainda em análise. Os recursos, caso sejam aprovados, deverão integrar o fundo garantidor do banco e dar suporte à abertura de novas unidades em diferentes estados.
“Brasília é uma delas. Agora, com a governadora Celina, nós queremos implementar o banco no Distrito Federal”, afirmou Jiovane.
A possibilidade de instalação de uma sede no Guará também está entre as alternativas discutidas. A região foi escolhida para a apresentação do projeto por sua localização estratégica e também pela relação pessoal de Jiovane e de sua família com a cidade.
O projeto já havia sido apresentado anteriormente ao Governo do Distrito Federal e agora avança para uma nova etapa de articulação. Na avaliação dos responsáveis pela iniciativa, a presença na capital federal pode funcionar como ponto de partida para ampliar o alcance do banco no Centro-Oeste.
Inclusão e paradesporto
Outro eixo apresentado pelo Parabank é o incentivo às pessoas com deficiência e ao paradesporto. A proposta é associar serviços financeiros a iniciativas de apoio e valorização de atletas, ampliando a visibilidade de modalidades que, apesar dos resultados alcançados pelo Brasil em competições nacionais e internacionais, ainda enfrentam dificuldades de patrocínio e financiamento.
No Guará, Jiovane Lopes também se reuniu com William Santana, servidor de carreira da Administração Regional do Guará e integrante da Gerência de Cultura. Durante o encontro, William conversou com Renato Leite, fundador do banco e paratleta com trajetória no vôlei sentado.
Para William, a chegada do projeto ao Distrito Federal abre uma perspectiva de crescimento para iniciativas ligadas à inclusão.
“Acredito que a tendência do banco, inclusive com a assistência das associações, é crescer de uma forma gigantesca e em um tempo muito pequeno”, afirmou.
Jiovane destacou ainda a participação de lideranças locais na articulação e agradeceu o apoio do administrador regional do Guará, Artur Nogueira, e da governadora Celina Leão ao diálogo para a implantação do projeto no Distrito Federal.
Uma história ligada ao nascimento do Guará
A apresentação do Parabank ocorreu na Paróquia Divino Espírito Santo, local que guarda uma relação direta com a história da família de Jiovane e com a própria formação da comunidade do Guará.
Segundo Lissa Sandiego, que acompanhou a visita, seu avô, Pedro Herculano Cavalcante de Almeida San Diego, conhecido na região como Velho Pedro, participou da mobilização para a construção da igreja.
A primeira estrutura era de madeira e já existia no fim da década de 1970. Lissa, que tinha dois anos na época, lembra da antiga igreja pintada de azul e do envolvimento do avô e da avó, Hana, com os moradores para erguer a estrutura definitiva.
Pedro Herculano era judeu e se converteu ao catolicismo ainda no período em que a igreja funcionava na construção de madeira. Engenheiro, participou posteriormente da mobilização da comunidade para a construção da nova igreja, ao lado de moradores como Francisco e seu João.
“Eu vi essa igreja nascer. Vi isso daqui surgir do zero”, recordou Lissa.
Segundo ela, Pedro Herculano também trabalhou com Lúcio Costa. A atuação da família esteve ligada não apenas à matriz da Divino Espírito Santo, mas também à história da Capela de São Cosme e Damião.
Décadas depois, o local que acompanhou os primeiros anos do Guará volta a servir de cenário para a apresentação de um projeto que pretende iniciar uma nova etapa de atuação no Distrito Federal.

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