Com a sexta maior votação, um dos seis estreantes na CLDF chega com trajetória que combina atuação cultural, experiência legislativa e personalidade
A eleição de Múcio Botelho de Oliveira (PSB) para a Câmara Legislativa do Distrito Federal marca a consolidação de uma liderança que começou a ganhar forma fora dos caminhos mais tradicionais da política. Aos 34 anos, o advogado, músico e servidor público conquistou 42.769 votos em 2026, alcançando a sexta maior votação para deputado distrital. O resultado representa um salto expressivo em relação a 2022, quando recebeu 9.956 votos e ficou como suplente. A votação atual o coloca como segundo mais bem votado entre os novos eleitos, atrás apenas de Estefane Sampaio (Republicanos), com 45.558.
Mas é preciso ir muito além dos números para definir esse advogado roqueiro. Servidor de carreira da própria Câmara Legislativa, onde vai passar a ter a função de parlamentar a partir do próximo ano, esse brasiliense reinventou o jeito de fazer campanha política. Com forte presença nas redes sociais, um estilo descontraído, mas questionador e com foco nos principais desafios diários do cidadão do DF, Múcio falou diretamente com públicos da juventude, de servidores públicos, de intelectuais, de moradores das periferias, de artistas e de produtores culturais, entre outros.
“A eleição é resultado de muito trabalho realizado em prol do DF. Trabalhei como se já fosse deputado, mesmo sem ter a estrutura de um mandato. Fiscalizamos e entregamos resultados. Fizemos o que a população esperava que nossos representantes fizessem”, destacou o deputado eleito.
Porém, o futuro parlamentar não chega sem entregas. Entre elas está a criação do Amplifica, iniciativa voltada à formação técnica e à inserção de artistas e agentes culturais no mercado de trabalho. O projeto expressa uma das principais características da atuação de Múcio: a tentativa de transformar problemas identificados na experiência cotidiana em propostas estruturantes. Para ele, Brasília não carece de talentos, mas de oportunidades, formação e políticas públicas capazes de fortalecer a economia criativa.
“A cultura, nesse contexto, deixa de ser apenas uma bandeira setorial e passa a integrar uma discussão mais ampla sobre emprego, renda e desenvolvimento econômico e territorial”, explicou.
A campanha de 2026 já reflete no que está por vir com base no plano de propostas do distrital: foco na mobilidade urbana, transparência administrativa, requalificação urbanística e fiscalização dos serviços públicos. Múcio também defende mudanças no transporte coletivo e maior atenção à estrutura de funcionamento da cidade.
Tanto a ampliação da votação, a maturidade política e o planejamento de mandato sugerem que sua candidatura ultrapassou o núcleo inicial de apoiadores de 2022: as urnas mostraram uma votação uniforme distribuida em todas as regiões administrativas do DF. Sua eleição ocorre em um cenário de baixa renovação da CLDF, na qual apenas seis dos 24 eleitos chegam pela primeira vez ao Legislativo.
A partir de 2027, o desafio é transformar o capital eleitoral em capacidade de articulação e resultados concretos. Múcio chega à Câmara Legislativa com a experiência de quem já conhece a rotina da Casa e vai construir sua própria identidade parlamentar, estabelecer prioridades e demonstrar que a combinação entre cultura, gestão e fiscalização pode produzir respostas para problemas cotidianos do Distrito Federal.
Sua trajetória mostra como uma candidatura sem apadrinhamento política e não ligada a grandes categorias ou grupos econômicos pode ganhar dimensão política mais ampla. Múcio reflete uma nova liderança comunitária e política, agora, respaldada pelo voto do cidadão.
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