Corrida do Comerciário encerra calendário de provas do Sesc-DF em 2026

 Sucesso entre os participantes, corrida tem como característica principal transformar uma atividade geralmente individual em experiência coletiva

Com 1.200 inscritos, número que corresponde à lotação máxima da prova, a Corrida do Comerciário – Revezamento 40K encerrou o calendário de corridas do Sesc-DF neste ano. Realizada neste sábado (10), com concentração na Praça do Cruzeiro, a competição transforma uma atividade geralmente individual em uma experiência coletiva.

Disputada em duplas, quartetos e octetos, a prova tem no revezamento seu principal diferencial. Ao longo do percurso, o esforço é compartilhado entre incentivos, aplausos e abraços, revelando histórias que, muitas vezes, começaram bem antes da largada.

Casados há 11 anos, Liliane Santos e Wanderson Gomes integraram uma equipe de oito participantes, todos comerciários. Enquanto Wanderson mantém uma rotina intensa de treinos, Liliane prefere um ritmo mais leve. A diferença revela o equilíbrio que o casal cultiva dentro e fora das pistas.

“A gente respeita o momento de cada um. Ele sai de madrugada pra correr. Às vezes eu não vou. Às vezes eu quero ir mais tarde. E é cada um dentro do seu tempo. Porque a corrida é isso: é inclusiva, é cada um no seu tempo e no seu quilômetro, e a gente respeita isso um no outro”, conta Liliane.

Outras histórias têm menos tempo, mas carregam a mesma força dos vínculos construídos pelo esporte. Foi por causa da Corrida do Comerciário que Luana Gomes Furtado e dona Eurides Carvalho se conheceram.

Luana trabalha como caixa em uma rede de supermercados. Sempre gostou de corrida de rua, mas ainda não havia começado a praticar. Em 2025, um encontro com dona Eurides e sua filha, Fabiana Carvalho, no supermercado onde trabalha abriu caminho para realizar esse desejo.

“Ano passado, eu estava lá no supermercado para fazer o cartão. Quem me atendeu foi Luana. E minha filha estava procurando uma pessoa para entrar na equipe que ia participar da Corrida do Comerciário do ano passado. Luana viu que a gente estava com camiseta de corrida e perguntou se a gente participava. Minha filha disse que sim e que estava procurando alguém para completar o grupo para a Corrida do Comerciário. Aí Luana disse: ‘mas é meu sonho’”, contou dona Eurides.

“E hoje, a gente não se larga mais”, completou Luana, antes de abraçar dona Eurides, conhecida como “mami” pelos integrantes do octeto.

A monitora escolar Mirene de Sousa Munize e a cozinheira-chefe Maria Rezende também compartilharam uma conquista: o primeiro lugar na categoria dupla/PCD. Suas trajetórias se cruzaram pelos desafios enfrentados e pela determinação de continuar no esporte.

Mirene teve poliomielite na infância. A condição impôs limitações, inclusive à prática de atividades físicas, mas ela encontrou na corrida uma forma de superação.

“Eu não podia fazer nem Educação Física. Fui me superando. Então, corrida pra mim é força, é resiliência, é fé. É Deus que me move”, diz.

Maria sofreu um acidente durante uma corrida, quebrou a perna esquerda em três partes e teve a mobilidade comprometida. Ainda assim, continuou a correr.

“Agora eu corro melhor que antes”, conta a atleta, que percorreu 20 quilômetros na prova deste sábado. “A corrida representa uma vida pra mim, é meu sopro de vida”, completa.

Além de fortalecer vínculos, a Corrida do Comerciário cria oportunidades para novos encontros. Desde o ano passado, quem ainda não tem uma equipe pode se inscrever individualmente e, no dia da prova, passar a integrar um grupo na modalidade escolhida.

Ao final, os 40 quilômetros representam mais do que um percurso: são uma oportunidade de dividir o cansaço, multiplicar o incentivo e transformar a linha de chegada em uma conquista de todos.

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