Candidato à reeleição, Chico Vigilante apresenta prioridades e relembra história na política

Em entrevista ao Viva Brasília Podcast, deputado distrital contou episódios de sua vida, relembrou a origem no movimento sindical, falou da relação com o presidente Lula, avaliou sua atuação na CLDF e apresentou prioridades para um novo mandato



O deputado distrital Chico Vigilante foi o convidado do Viva Brasília Podcast, apresentado por Paulo Melo, em uma entrevista que percorreu diferentes momentos de sua vida pessoal, sindical e política. Ao longo da conversa, o parlamentar falou sobre sua origem no Maranhão, a chegada a Brasília, a relação com Ceilândia, a luta em defesa dos trabalhadores, a convivência política com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os planos para as eleições de 2026.

Atualmente em seu quinto mandato como deputado distrital e com dois mandatos de deputado federal no currículo, Chico também confirmou que é candidato à reeleição para a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

Do Maranhão a Brasília
Antes de entrar na política, Chico Vigilante teve uma trajetória marcada pelo trabalho. Na entrevista, contou que nasceu no Maranhão e trabalhou no campo até os 20 anos. Depois, passou pela construção civil em Roraima e também trabalhou em Tucuruí, no Pará, antes de chegar à capital federal.

“Nasci no Maranhão. Eu trabalhei na roça até os 20 anos de idade.”

Chico contou que chegou a Brasília em 1977. A partir da capital, especialmente de Ceilândia, construiu a trajetória profissional e política que mais tarde o levaria ao movimento sindical e ao Parlamento.

A ligação com Ceilândia apareceu diversas vezes durante a entrevista. Em um bate-bola no fim do programa, ao ser convidado a definir a cidade, respondeu: “É a minha cidade. É lá que eu vivo. De lá não vou sair.”

Ao falar de Brasília, também demonstrou a relação afetiva que construiu com a capital. “Brasília é a mais bonita. Aqui Brasília é paz, é amor, é fraternidade, é tudo.”


Movimento sindical e defesa dos trabalhadores
A experiência como vigilante foi decisiva para a entrada de Chico na organização dos trabalhadores. Durante o podcast, ele relembrou mobilizações, greves e episódios da construção do movimento sindical da categoria no Distrito Federal.

Em uma das histórias, contou sobre uma mobilização de vigilantes em que assumiu a interlocução do grupo mesmo antes da existência formal do sindicato. Diante de uma autoridade que queria saber quem comandava o movimento, Chico disse ter respondido: “Aqui não tem chefe, não. [...] Todo mundo aqui é igual.”

Décadas depois, o deputado continua colocando a defesa dos trabalhadores como uma das principais marcas de sua atuação. Na entrevista, avaliou que o sindicalismo brasileiro enfrenta novos desafios diante das transformações nas relações de trabalho. “O movimento sindical brasileiro está numa encruzilhada. [...] Ele precisa encontrar uma nova saída.”

Para Chico, apesar das mudanças no mercado de trabalho, a organização coletiva continua sendo necessária. “Sem dúvida. É o único caminho que tem para melhorar a vida dos trabalhadores.”

Relação com Lula começou ainda no movimento sindical
Chico Vigilante também dedicou parte da entrevista à relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o deputado, os dois se conheceram em 1979, durante uma mobilização relacionada à política salarial.

Chico contou que os vigilantes estavam em greve e foram ao Congresso Nacional. Lula, então dirigente sindical de São Bernardo do Campo, também participou da mobilização. “Conheci o Lula em 1979.”

Ao recordar aquele momento, Chico afirmou que os vigilantes ocuparam as galerias do Congresso e que foi naquele contexto que os dois tiveram o primeiro contato. “Os vigilantes estavam de greve, a gente mobilizou os vigilantes, levamos todo mundo fardado, ocupamos as galerias do Congresso Nacional.”

A relação entre os dois continuaria nos anos seguintes, acompanhando a organização do movimento sindical e a trajetória política de ambos.

No bate-bola do programa, quando perguntado sobre Lula “em uma palavra”, Chico respondeu: “O maior líder das histórias modernas do mundo.”

Oposição, diálogo e fiscalização do GDF
A relação com o Governo do Distrito Federal também entrou na conversa. Conhecido pela atuação de oposição e fiscalização, Chico afirmou que ser oposição não significa votar automaticamente contra todas as propostas apresentadas pelo Executivo.

O deputado disse que manteve diálogo com o governador Ibaneis Rocha sempre que considerou necessário e defendeu que as disputas eleitorais não impeçam o funcionamento das instituições. “Todos os políticos do Brasil deveriam ter descido do palanque e trabalhar pela nação, governar e trabalhar pelo povo, fiscalizar e trabalhar pelo povo.”

Chico afirmou ainda que analisa individualmente os projetos encaminhados pelo Executivo à Câmara Legislativa. “Quando o governo manda o projeto, eu vou analisar. Se ele é ruim, nós vamos emendar e consertar. Se a gente conseguir, a gente vota a favor.”

Caso considere que a proposta não possa ser corrigida, acrescentou, sua posição é contrária. “Se não, a gente vota contra.”

Chico confirma candidatura à reeleição em 2026
Durante a entrevista, o apresentador Paulo Melo destacou que Chico Vigilante já confirmou sua candidatura à reeleição para a Câmara Legislativa e perguntou o que o eleitor poderia esperar de um novo mandato.

O deputado respondeu que não pretende mudar a linha de atuação. “Eu vou continuar sendo o mesmo Chico Vigilante, na mesma linha.”

Chico também mencionou resultados de pesquisas eleitorais e afirmou interpretar o desempenho como reconhecimento de sua atuação. “É a demonstração de que eu estou fazendo o processo certo. Portanto, vou continuar na mesma linha, sendo o mesmo Chico Vigilante.”

Educação entre as prioridades
Ao falar das prioridades para um próximo mandato, Chico deu destaque à situação das escolas públicas do Distrito Federal. “Investir mais e mais para recuperar as escolas do Distrito Federal.”

O deputado defendeu melhorias na infraestrutura das unidades, incluindo climatização e melhores condições para cozinhas e locais onde os alimentos são armazenados. Também relembrou sua atuação contra a tentativa de terceirização da merenda escolar e disse sentir orgulho ao visitar escolas e verificar a oferta de alimentos aos estudantes.

A educação apareceu novamente no fim da entrevista. Questionado sobre um sonho que ainda não conseguiu realizar por meio da política, Chico respondeu: “Meu sonho é que todas as crianças estejam em escola integral.”


Lei Anticalote e trabalhadores terceirizados
Entre as realizações de que mais se orgulha, Chico destacou a Lei Anticalote, voltada à proteção dos trabalhadores terceirizados.

Segundo ele, o mecanismo busca garantir recursos para que esses profissionais não fiquem sem receber seus direitos quando uma empresa contratada enfrenta problemas financeiros ou encerra suas atividades.
“Quando a empresa quebra, o dinheiro está depositado lá para que seja pago a eles.”

Vida pessoal e legado
A entrevista também abriu espaço para o lado pessoal do parlamentar. Ao ser perguntado sobre os sacrifícios impostos pela política, Chico afirmou: “Eu faço política com prazer. Para mim, não tirou nada. Não tem sacrifício.”

Ele também falou da mulher, Lindalva, e destacou a importância dela ao longo de sua trajetória. “Eu tenho uma mulher exemplar, minha companheira Lindalva. Enquanto eu fui para o mundo, ela cuidou da família. Isso me dá um orgulho muito grande.”

Chico contou ainda que os dois se casaram apenas 19 dias depois de se conhecerem e que estão juntos há 45 anos.

Ao avaliar se a longa caminhada na vida pública valeu a pena, o deputado relacionou sua resposta às mudanças que acredita ter ajudado a promover. “Quando eu vejo as transformações que a gente conseguiu fazer, sempre está valendo a pena.”

E, ao ser questionado sobre como gostaria de ser lembrado quando sua trajetória política chegar ao fim, foi direto: “Defensor dos trabalhadores e das trabalhadoras.”

“Ter esperança no Brasil”

No encerramento do Viva Brasília Podcast, Paulo Melo pediu que Chico deixasse uma mensagem para três públicos: um jovem da periferia desacreditado da política, um trabalhador que não se sente representado e uma pessoa idosa preocupada com o futuro.

A resposta foi: “Dizia para eles terem esperança no Brasil.”

Chico acrescentou uma mensagem especialmente dirigida aos jovens: “Esse jovem que não acredita na política, eu já fui um deles e aprendi que é através da política que você faz a transformação.”

A participação de Chico Vigilante no Viva Brasília Podcast apresentou, assim, não apenas sua candidatura à reeleição em 2026, mas um panorama de uma trajetória construída entre o trabalho como vigilante, o movimento sindical, Ceilândia e a atuação parlamentar. Entre memórias pessoais e posicionamentos políticos, o deputado reafirmou a defesa dos trabalhadores, da educação pública e de políticas sociais como eixos que pretende manter em sua atuação.

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