Em entrevista, candidato a deputado distrital critica excesso de ataques contra a governadora no primeiro debate eleitoral do DF, defende equilíbrio, responsabilidade política e afirma que sua própria caminhada rumo à CLDF representa um novo capítulo de uma trajetória construída ao longo de anos.
O primeiro debate eleitoral entre os candidatos ao Governo do Distrito Federal colocou a sucessão do Palácio do Buriti definitivamente no centro das atenções políticas de Brasília. Realizado pela Band no último domingo (9), o encontro foi marcado por confrontos diretos, cobranças e uma concentração significativa de críticas à governadora Celina Leão, principalmente em relação à crise envolvendo o BRB e o Banco Master.
Foi nesse ambiente de forte pressão que o nome de Cristiano Araújo, candidato a deputado distrital, passou a assumir uma posição política clara: a defesa de uma disputa eleitoral baseada em propostas, experiência administrativa e responsabilidade diante da população.
Para Cristiano, questionar governos faz parte da democracia. O que não pode acontecer, segundo a leitura política que ele vem apresentando, é transformar o debate público em uma sucessão de ataques pessoais ou em uma disputa na qual a desconstrução do adversário substitua a apresentação de soluções.
A posição ganha relevância justamente porque a campanha de Celina passou a avaliar os efeitos do primeiro debate. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a governadora chegou a estudar a possibilidade de não participar de próximos debates, diante da avaliação de que acabou sendo alvo concentrado dos adversários.
“O eleitor merece mais do que ataques”
Pergunta — Cristiano, qual foi a sua avaliação do primeiro debate entre os candidatos ao Governo do DF?
Cristiano Araújo: “Debate é fundamental para a democracia. É importante que o eleitor conheça as posições de cada candidato, compare propostas e cobre explicações. Mas eu acredito que o debate precisa ser conduzido com responsabilidade. O eleitor de Brasília está preocupado com saúde, segurança, educação, transporte, emprego, infraestrutura e qualidade de vida. Ele quer saber o que cada candidato pretende fazer para melhorar a vida das pessoas.”
“Questionar é legítimo. Fiscalizar é obrigação. Mas política não pode ser construída somente pelo ataque. Precisamos apresentar caminhos.”
Defesa de Celina Leão
Pergunta — Você considera que Celina Leão sofreu uma concentração excessiva de ataques?
Cristiano Araújo: “Eu respeito todos os candidatos e respeito profundamente o processo democrático. Mas é evidente que Celina esteve no centro dos ataques. E isso acontece porque ela está na posição de liderança do grupo que hoje governa o Distrito Federal e porque assumiu o Governo em um momento extremamente delicado.”
“Celina precisa ser cobrada, como qualquer governante. Mas também precisa ter a oportunidade de apresentar aquilo que está fazendo, explicar suas decisões e mostrar para a população qual é o projeto que pretende construir para o Distrito Federal.”
“Não acredito que Brasília possa escolher seu futuro apenas olhando para o retrovisor. Precisamos olhar para frente.”
BRB precisa ser tratado com responsabilidade
A crise envolvendo o BRB foi o principal eixo do confronto. Os candidatos cobraram explicações de Celina sobre a situação do banco, enquanto a governadora procurou se desvincular da decisão relacionada à operação com o Banco Master e afirmou que sua prioridade passou a ser buscar uma solução para o problema.
Pergunta - E sobre o BRB? Como você avalia a discussão?
Cristiano Araújo: “O BRB é patrimônio de Brasília. Não é propriedade de um grupo político, não é propriedade de um candidato e não pode ser tratado como instrumento de disputa eleitoral. Qualquer situação envolvendo o banco precisa ser analisada com seriedade, transparência e responsabilidade.”
“Se existe problema, precisamos identificar o problema. Se existe responsabilidade, precisamos identificar responsabilidades. Mas o mais importante é proteger o patrimônio do Distrito Federal e proteger os interesses da população.”
“Não podemos permitir que uma instituição tão importante para Brasília seja transformada apenas em uma arma eleitoral.”
Uma caminhada que atravessa gerações políticas
A defesa de Celina aparece dentro de uma trajetória política que Cristiano Araújo procura apresentar como baseada em experiência, relacionamento e conhecimento da realidade do Distrito Federal.
Cristiano possui três mandatos anteriores como deputado distrital e acumula passagens pela administração pública. Em 2026, sua candidatura novamente mira a Câmara Legislativa. A imprensa local tem destacado sua experiência de 12 anos de atuação política e a construção de alianças para a nova disputa.
Sua movimentação recente também inclui aproximações com diferentes lideranças políticas do DF. Reportagens sobre sua caminhada eleitoral citam nomes como Júlio Cesar Ribeiro, Rafael Prudente, Hélvia Paranaguá e a própria Celina Leão.
Pergunta — Você está vivendo uma nova caminhada eleitoral. O que mudou em Cristiano Araújo?
Cristiano Araújo: “Eu amadureci. A experiência ensina muito. Foram três mandatos, diferentes momentos da política de Brasília, participação na administração pública e contato permanente com a população. Hoje eu tenho uma visão muito mais ampla sobre o que significa representar uma comunidade.”
“Eu não estou começando do zero. Estou começando um novo capítulo.”
“Conheço Brasília. Conheço suas regiões, conheço suas necessidades e conheço também os desafios que existem dentro do poder público. E volto para essa caminhada com muita vontade de trabalhar.”
“Não quero uma política distante das pessoas”
Pergunta — Qual é a principal mensagem que você pretende levar ao eleitor?
Cristiano Araújo: “Quero dizer ao eleitor que política precisa estar perto das pessoas. Não podemos fazer uma política de gabinete, distante das comunidades.”
“Quero andar pelo Distrito Federal, conversar com as pessoas, ouvir suas demandas e construir propostas a partir da realidade de quem acorda cedo, pega transporte público, leva filho para escola, procura atendimento médico, trabalha e enfrenta diariamente os desafios da nossa cidade.”
“Uma eleição não se ganha apenas com discurso. Se ganha com confiança. E confiança se constrói com presença, trabalho e coerência.”
O futuro de Brasília
A postura adotada por Cristiano também dialoga com uma característica que vem marcando sua comunicação eleitoral: a tentativa de construir uma candidatura positiva, baseada em presença territorial, articulação e capacidade de diálogo.
Reportagens recentes apontam que o candidato vem ampliando sua presença em diferentes regiões do DF e construindo uma rede de relacionamento político que reúne lideranças e segmentos distintos.
Pergunta — Você acredita que essa eleição pode representar um novo momento na sua carreira?
Cristiano Araújo: “Com certeza. Mas eu não vejo isso apenas como uma eleição. Vejo como uma responsabilidade.”
“Eu tenho uma história com Brasília. Tenho uma história com a política e, principalmente, tenho uma história com as pessoas. Agora quero colocar toda essa experiência novamente à disposição do Distrito Federal.”
“Quero fazer uma campanha olhando para o futuro. Quero falar de saúde, segurança, educação, desenvolvimento econômico, turismo, infraestrutura, proteção das famílias e qualidade de vida.”
“Brasília não pode parar.”
Uma defesa que também revela estratégia
A manifestação de Cristiano Araújo em defesa de Celina Leão não deve ser interpretada apenas como um posicionamento circunstancial após o debate.
Politicamente, ela revela uma estratégia mais ampla: defender a continuidade de um projeto administrativo, preservar alianças e, ao mesmo tempo, apresentar-se ao eleitor como uma liderança capaz de dialogar sem transformar adversários em inimigos.
Essa característica pode ser relevante durante a campanha, especialmente em uma eleição na qual diferentes grupos tentarão ocupar o centro político do Distrito Federal.
Cristiano procura construir sua candidatura sobre uma ideia simples: experiência sem acomodação, articulação sem isolamento e presença política sem distanciamento da população.
E, ao defender Celina diante dos ataques sofridos no debate, ele também estabelece uma mensagem própria:
“É possível fazer oposição, questionar e fiscalizar sem destruir. É possível disputar uma eleição sem transformar Brasília em um campo permanente de guerra política.”
O primeiro debate mostrou que a corrida pelo Palácio do Buriti será intensa. Celina foi colocada no centro dos confrontos, enquanto Arruda e Grass buscaram ampliar seus espaços na disputa.
Cristiano Araújo, por sua vez, tenta construir outro caminho: o da candidatura que pretende chegar à Câmara Legislativa carregando experiência, alianças, presença territorial e uma defesa explícita de um ambiente político no qual o eleitor seja colocado acima do espetáculo eleitoral.
A caminhada está apenas começando.
E, para Cristiano Araújo, o desafio agora é transformar anos de experiência política em uma nova conexão com Brasília região por região, comunidade por comunidade e eleitor por eleitor.



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