Silenciosas, hepatites podem ser descobertas apenas após complicações

 

Foto: Magnific

Médico infectologista reforça a importância da testagem e do diagnóstico precoce no Dia Mundial de Luta contra a doença

 

É possível conviver durante anos com uma infecção no fígado sem apresentar qualquer sintoma. Enquanto a doença evolui de forma silenciosa, o órgão pode sofrer lesões progressivas que aumentam o risco de cirrose, insuficiência hepática e câncer. Muitas pessoas só descobrem o problema quando já existem complicações.

 

De acordo com o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 826.292 casos confirmados de hepatites virais entre 2000 e 2024. A hepatite C concentrou a maior parte das notificações (41,5%), seguida pela hepatite B (36,6%), reforçando a necessidade de ampliar o diagnóstico precoce e a prevenção.

 

No Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, celebrado em 28 de julho, o médico infectologista do Hospital Anchieta Ceilândia, Diogo Borges, destaca que o maior desafio continua sendo identificar a doença antes do surgimento das complicações.

 

"Muitas pessoas acreditam que só precisam procurar atendimento quando aparecem sintomas importantes. Mas algumas hepatites podem permanecer completamente assintomáticas durante anos, enquanto provocam danos progressivos ao fígado", explica.

 

Quando presentes, os sintomas podem incluir cansaço intenso, mal-estar, náuseas, dor abdominal, urina escura, fezes claras e pele ou olhos amarelados. No entanto, esperar esses sinais aparecerem pode atrasar o diagnóstico e favorecer a evolução da doença.

 

Segundo o especialista, a realização de exames é fundamental para pessoas com maior risco de exposição, como aquelas que mantêm relações sexuais desprotegidas, usuários de drogas injetáveis, pessoas que vivem com HIV ou hepatite C, profissionais de saúde, gestantes, pacientes em hemodiálise, contatos domiciliares ou parceiros de pessoas com hepatite B e indivíduos com alterações persistentes das enzimas do fígado sem causa definida.

 

"O rastreamento permite identificar pacientes que convivem com a infecção há muito tempo sem saber. Quanto mais cedo descobrimos a doença, maiores são as chances de iniciar o tratamento antes que ocorram complicações", afirma.

 

As hepatites A e E costumam causar infecções agudas e, na maioria dos casos, evoluem para a cura. Já as hepatites B e C podem se tornar crônicas e aumentar significativamente o risco de cirrose, insuficiência hepática e carcinoma hepatocelular, o tipo mais comum de câncer de fígado.

 

Além da testagem, a prevenção passa pela vacinação contra as hepatites A e B, pelo uso de preservativos, pelo não compartilhamento de objetos perfurocortantes e pelos cuidados com a higiene da água e dos alimentos, reduzindo as possibilidades de transmissão.

 

"As hepatites virais têm tratamento e, em muitos casos, cura. O maior erro é acreditar que a ausência de sintomas significa ausência da doença. O diagnóstico precoce pode evitar cirrose, insuficiência hepática, câncer de fígado e salvar vidas", reforça Diogo Borges.

 

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem
Comper