Palmas (TO), maio de 2026 — O Dia das Mães de 2026 confirma uma mudança relevante no comportamento de consumo no Brasil. A data segue entre as mais importantes do calendário do varejo, mas com um padrão mais racional, em que o presente continua presente — porém mais planejado, ajustado ao orçamento e alinhado ao desejo de quem recebe.
Levantamento “Pulso Dia das Mães”, realizado pela Hibou Pesquisas e Insights em parceria com a Score Agency, com 1.479 brasileiros entrevistados em abril, mostra que 41% dos consumidores afirmam estar com o orçamento mais apertado e pretendem gastar menos neste ano. Outros 36% dizem que irão comprar apenas o que cabe no bolso.
Apesar desse cenário, o consumo não desaparece. Ele se reorganiza.
“A data precisa se encaixar na rotina financeira do brasileiro, que já aprendeu a celebrar com menos riscos e mais presença”, afirma Ligia Mello.
Segundo a executiva, o comportamento atual representa uma adaptação. “O brasileiro não cancela o Dia das Mães. Ele ajusta a forma de comemorar ao que é possível dentro do orçamento”, diz.
Nesse contexto, os perfumes ganham protagonismo no varejo por reunirem atributos que dialogam diretamente com o novo perfil de consumo: valor emocional, possibilidade de variação de preço e associação ao autocuidado.
Mães passam a escolher o próprio presente
A mudança não está apenas no consumidor, mas também no comportamento das próprias mães, que passam a influenciar diretamente a decisão de compra.
Em Palmas, essa tendência nacional já se reflete no comércio especializado. A empresária Flávia Klein, proprietária da loja À Francesa, que atende clientes em todo o Brasil, relata uma alteração clara no perfil das consumidoras.
“Uma característica deste Dia das Mães é que as mães estão vindo muito decididas. Elas experimentam os perfumes e deixam até o telefone dos filhos para a gente entrar em contato. Tenho ouvido muito: ‘eu mereço, quero me cuidar e me valorizar’”, afirma.
Segundo ela, há uma mudança no significado do presente.
“Hoje, muitas já chegam sabendo exatamente o que querem ganhar. Não querem mais eletrodoméstico ou item para casa. Querem algo para si, ligado à autoestima”, diz.
Consumo mais controlado e tíquete médio menor
Apesar da valorização do autocuidado, o consumo segue condicionado pelo orçamento. De acordo com a empresária, o tíquete médio das compras para o período está entre R$ 450 e R$ 500, com aumento na procura por fragrâncias menores ou opções mais acessíveis.
“Os filhos chegam pedindo uma lembrança, muitas vezes o menor perfume que tiver, só para não deixar passar em branco. Isso mostra um consumo mais controlado”, explica.
A escolha das fragrâncias também segue um padrão. Segundo Klein, entre 50% e 60% das vendas se concentram em perfumes leves, com notas florais, cítricas e aquáticas, considerados mais seguros para presente.
Entre os itens mais procurados estão La Vie Est Belle e Light Blue, que aparecem com frequência nas escolhas por sua aceitação ampla.
Consumo muda, mas tradição permanece
Os dados nacionais reforçam que o presente segue relevante, mas perde centralidade diante do contexto econômico. Segundo o levantamento, 57% dos brasileiros consideram estar com a família o principal símbolo da data, enquanto 41% apontam o almoço em casa como o principal momento da celebração.
Ao mesmo tempo, o processo de decisão de compra se torna mais criterioso. A pesquisa mostra que 58% dos consumidores priorizam qualidade, enquanto 45% consideram o preço como fator determinante.
“A compra continua sendo emocional, mas não é mais impulsiva. O consumidor quer acertar”, afirma Ligia Mello.
Nova lógica do presente
O cenário indica uma mudança na lógica do consumo no Dia das Mães. O presente não deixa de existir, mas passa a ser escolhido com base em três critérios: significado, utilidade e adequação ao orçamento.
Nesse contexto, o perfume se consolida como um dos produtos que melhor traduzem esse novo comportamento — equilibrando valor simbólico e controle financeiro.
Serviço / Fonte
Levantamento “Pulso Dia das Mães”
Hibou Pesquisas e Insights + Score Agency
1.479 entrevistados (abril de 2026)



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