Sem sintomas, pressão alta pode evoluir por anos até causar infarto ou AVC

 

Alterações muitas vezes passam despercebidas e só são identificadas na medição (Foto: Freepik)

No Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão, especialista lembra que manter o corpo ativo é “remédio” para sistema cardiovascular

A hipertensão arterial pode avançar por anos sem dar sinais, enquanto provoca danos progressivos ao organismo. No Brasil, cerca de 30% da população adulta convive com a doença — muitas vezes sem saber.

De acordo com o cardiologista do Hospital Anchieta Taguatinga, Jim Davis de Oliveira, esse é justamente o principal desafio no controle da condição. “Ela é chamada de silenciosa porque o organismo muitas vezes se adapta aos níveis elevados, sem gerar sinais visíveis, enquanto os órgãos internos vão sendo progressivamente afetados”, explica.

Celebrado em 26 de abril, o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão chama atenção para uma condição que, em muitos casos, só é descoberta após complicações mais graves, como infarto ou acidente vascular cerebral (AVC), conhecido como derrame.

O aumento persistente da pressão do sangue nas artérias, geralmente igual ou superior a 140 por 90 milímetros de mercúrio (mmHg), define o quadro. A partir de 120 por 80 mmHg, já se considera uma faixa de atenção, o que reforça a importância do acompanhamento.

Doença pode evoluir sem sintomas por anos

Na prática, muitas pessoas convivem com a pressão elevada sem qualquer desconforto aparente. Quando surgem sintomas como dor na nuca, visão embaçada ou zumbido no ouvido, o quadro já pode estar em estágio avançado ou associado a alguma complicação aguda.

Sem controle, ela acelera o envelhecimento dos vasos sanguíneos e aumenta o risco de eventos graves. “Estamos falando de uma condição que pode levar à perda súbita de funções vitais e ao desenvolvimento de doenças incapacitantes, como AVC, insuficiência renal e problemas cardíacos”, alerta o especialista.

Além do impacto direto no coração, a pressão alta também pode comprometer rins, cérebro e visão, com risco de sequelas permanentes.

Estilo de vida tem papel decisivo

Embora fatores genéticos influenciem, o estilo de vida é determinante para o desenvolvimento da hipertensão. Sedentarismo, alimentação rica em sal e ultraprocessados, consumo excessivo de álcool, tabagismo, estresse crônico e sono de má qualidade estão entre os principais fatores de risco.

Por outro lado, a prevenção está diretamente ligada à adoção de hábitos saudáveis. Manter-se ativo é uma das medidas mais eficazes para proteger o sistema cardiovascular, funcionando como um verdadeiro “remédio” para as artérias. A recomendação é de pelo menos 150 a 300 minutos semanais de exercícios aeróbicos, combinados com treinos de força.

Monitorar é essencial, mesmo sem sintomas

Mesmo sem sinais aparentes, o acompanhamento da pressão deve fazer parte da rotina. A recomendação é que a aferição ocorra regularmente ao longo da vida — inclusive desde a infância — e, na fase adulta, em todas as oportunidades de contato com serviços de saúde.

Para quem já tem diagnóstico, o cuidado deve ser contínuo. Em grande parte dos casos, o tratamento inclui o uso de medicamentos, aliado a mudanças no estilo de vida.

“O principal erro é esperar sentir algo para agir. A hipertensão exige acompanhamento constante. Controlar a pressão, manter hábitos saudáveis e seguir corretamente o tratamento são atitudes que fazem toda a diferença na prevenção de complicações”, reforça Jim Davis de Oliveira.

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