Restaurante Inclusivo mostra responsabilidade social e mira no crescimento organizacional

 Implementado na unidade do Gama – Euzébio Pires de Araújo, o projeto apresenta uma proposta alinhada a uma visão de futuro

Em setembro, o projeto Restaurante Inclusivo, do Sesc-DF, completa dois anos. Implementado na unidade do Gama - Euzébio Pires de Araújo, a proposta vai além de uma questão de responsabilidade social: se mostra como visão de futuro. 

Quatro vagas da equipe do restaurante da unidade são destinadas a pessoas com neurodivergência, que desempenham funções como atendimento ao cliente, higienização de utensílios, recolhimento de pratos e talheres, verificação da validade dos produtos, armazenamento e estoque. 

Atualmente, integram a equipe pelo projeto duas pessoas autistas e uma pessoa com síndrome de Down. Entre eles, Carlos Augusto Costa Coelho, 30 anos.

“Meu primeiro emprego foi informal, como vendedor de caramelo”, lembra o jovem que afirma ter atuado também em uma rede de restaurantes. “Mas aqui é o melhor lugar, o melhor salário”, diz o auxiliar de operações de cozinha que tem autismo e TDAH. Com o Restaurante Inclusivo, ele abraçou não só a oportunidade de inserção no mercado de trabalho e capacitação laboral, mas a possibilidade de ser protagonista da própria vida.

Paralelamente, o restaurante do Sesc Gama também garantiu resultados importantes com a contratação de Carlos. Ele é rigoroso com a higienização das panelas e utensílios da cozinha, algo fundamental para a qualidade de qualquer lugar que comercialize alimentos.

Para além da responsabilidade social, o Restaurante Inclusivo mira na promoção de um ambiente de trabalho com inovação e crescimento organizacional. Empresas de diversos setores vêm obtendo resultados positivos quando implementam equipes inclusivas. A Microsoft, por exemplo, tem desde 2015 o Programa de Neurodiversidade. A empresa identificou que pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) costumam ter hiperfoco e maior capacidade de disciplina, são mais detalhistas, rendendo ganhos insubstituíveis para a empresa.

Embora a constatação não seja uma novidade, pessoas neurodivergentes enfrentam desafios significativos para se inserir no mundo do trabalho. O último Censo do IBGE, realizado em 2022, mostra que o Brasil tem cerca de 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de TEA. Segundo o Instituto, em 2024, aproximadamente 85% dessas pessoas estavam fora do mercado de trabalho. 

Em entrevista ao Programa Cidadania da TV Senado, a diretora para a América Latina do HD Sunflower (o cordão de girassol), Flávia Callafange, afirmou que “os outros 15% muitas vezes estão subempregados ou não têm um desenvolvimento de carreira adequando dentro das instituições”. Esse cenário resulta em uma realidade grave: “66% acho dos autistas têm depressão e muitos se suicidam”, declara Callafange.

Se por muito tempo o modelo de trabalho foi desenhado para cérebros que se adaptam facilmente a interações sociais padronizadas, o Sesc-DF se soma às iniciativas que enxergam a contratação de pessoas com neurodivergência como possibilidade de revolucionar o dia a dia corporativo. Um dos exemplos é o Restaurante Inclusivo que, por hora, está centralizado na unidade do Gama para que possa passar por avaliações e aprimoramentos contínuos.  Mas, em breve, se ampliará. 

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