Na sequência, Aparecido enfatizou o papel das ações culturais como instrumento de inclusão e desenvolvimento social, apontando Ceilândia como referência no processo de descentralização cultural no DF. Segundo ele, iniciativas do Sesc têm levado grandes eventos e atrações gratuitas para a cidade, ampliando o acesso da população a bens culturais, como o Sesc + Cultura e a programação de Natal.
“Levamos grandes eventos, shows e atividades gratuitas para a população. Muitas vezes, são atrações que essas pessoas não teriam acesso em outras condições”, afirmou. Aparecido ressaltou que esse movimento contribui para levar a produção cultural para além do eixo central de Brasília, citando apresentações de artistas como Joelma e Emicida na região.
O debate contou ainda com a participação do deputado distrital Chico Vigilante e do presidente da Associação Comercial de Ceilândia (Acic), Eduardo Lima. A abertura foi realizada pela superintendente do Sebrae-DF, Rose Rainha, e pelo administrador regional da cidade, Dilson Resende de Almeida.
Força econômica de Ceilândia
Ao longo do painel, Aparecido destacou fatores estruturais que explicam a relevância econômica de Ceilândia, como sua dimensão populacional e a diversidade de atividades produtivas. “A Ceilândia é a maior cidade do Distrito Federal. Temos cerca de 287 mil habitantes, o que representa aproximadamente 10% da população do DF. Desses, mais de 151 mil fazem parte da população economicamente ativa”, afirmou.
Ele observou ainda que uma parcela significativa dessa população trabalha dentro da própria região, o que evidencia a força do comércio e dos serviços locais. “É uma cidade com uma dinâmica econômica muito forte, que atende não só a própria população, mas também outras regiões”, disse.
A diversidade cultural também foi apontada como um diferencial competitivo da cidade, contribuindo para a vitalidade econômica e a capacidade de adaptação dos negócios locais. “Ceilândia é uma cidade formada por pessoas de todo o Brasil. Temos gente do Nordeste, do Centro-Oeste, do Sudeste. Isso contribui para uma economia diversa, dinâmica e com grande capacidade de adaptação”, pontuou.
Segundo o presidente da Fecomércio-DF, o empresariado local tem papel central no desenvolvimento, com uma postura colaborativa na busca por soluções. “Antes, os empresários vinham apenas reclamar. Hoje, eles trazem problemas acompanhados de sugestões. Isso facilita muito a construção de soluções”, avaliou.
Entre os segmentos que mais se destacam, ele citou gastronomia, beleza e indústria. “Ceilândia cresceu muito na área de bares e restaurantes, no setor de beleza e também na indústria, especialmente nos segmentos de pré-moldados e moveleiro”, explicou. O dirigente também ressaltou a presença significativa de microempreendedores individuais, principalmente no setor de serviços.
Ao final, Aparecido reconheceu que, apesar dos avanços, a cidade ainda enfrenta desafios, sobretudo na área de infraestrutura urbana, como drenagem e conservação. Para ele, o enfrentamento dessas questões exige planejamento de longo prazo e articulação entre diferentes atores.
Encerrando sua participação, o presidente do Sistema Fecomércio-DF destacou a relevância de espaços de diálogo como o promovido pelo Correio Braziliense. “Quando reunimos setor produtivo, poder público e sociedade civil, conseguimos construir caminhos mais eficazes para o desenvolvimento da cidade”, concluiu.