![]() |
| Especialista alerta para os riscos do sedentarismo (Foto: Divulgação) |
Por Edson D’Ávila (*)
A
falta de atividade física está entre os principais fatores de risco para
doenças cardiovasculares e já preocupa especialistas em todo o mundo.
A falta de atividade física está entre os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares e já preocupa especialistas em todo o mundo.
Passamos cada vez mais tempo sentados: no trabalho, no trânsito, diante do computador ou do celular. Muitas vezes, a rotina parece não deixar espaço para o movimento — e é justamente nesse cenário que surge um dos maiores desafios para a saúde da população.
O estilo de vida cada vez mais sedentário tem sido apontado como um importante fator de risco para doenças cardiovasculares. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 1,8 bilhão de adultos não praticam atividade física suficiente, um número que continua crescendo. O problema não está apenas na ausência de exercícios estruturados, mas também na redução do movimento ao longo do dia.
No Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo, celebrado em 10 de março, o alerta é claro: movimentar o corpo não é apenas uma questão estética ou de condicionamento físico. Trata-se de uma medida essencial de prevenção.
A inatividade física está associada ao aumento do risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), hipertensão, diabetes tipo 2 e obesidade. Em outras palavras, quando o corpo deixa de se movimentar com regularidade, aumentam as chances de desenvolver doenças que afetam diretamente a qualidade e a expectativa de vida.
O coração sente rapidamente os efeitos desse comportamento. A prática regular de atividade física ajuda a melhorar a circulação, controlar a pressão arterial, reduzir o colesterol ruim e fortalecer o sistema cardiovascular como um todo. É como se o exercício funcionasse como um verdadeiro “treinamento” para o coração.
Por isso, antes de iniciar ou intensificar a prática de atividades físicas, especialmente para pessoas que possuem fatores de risco ou histórico de doenças cardíacas, é importante passar por uma avaliação cardiológica. Essa avaliação permite identificar possíveis riscos e orientar de forma segura qual tipo de atividade é mais adequado para cada pessoa.
Além disso, manter um acompanhamento cardiológico regular é fundamental para monitorar a saúde do coração e prevenir complicações ao longo do tempo.
Mesmo entre pacientes que já possuem alguma doença cardiovascular, a atividade física continua sendo recomendada. Quando indicada e acompanhada por profissionais de saúde, ela faz parte do tratamento e contribui para melhorar o condicionamento físico, ajudar no controle da pressão arterial e reduzir o risco de novos eventos cardíacos.
A boa notícia é que não é necessário se tornar atleta para colher esses benefícios. A recomendação da Organização Mundial da Saúde é de pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana — algo que pode ser alcançado, por exemplo, com uma caminhada de cerca de 30 minutos por dia.
Mais importante do que a intensidade é a constância. Caminhar pelo bairro, subir escadas, andar de bicicleta, dançar ou praticar um esporte são exemplos simples de atividades que podem ser incorporadas à rotina.
Pequenas mudanças também fazem diferença. Levantar-se mais vezes durante o trabalho, reduzir o tempo sentado e buscar momentos de movimento ao longo do dia são estratégias que ajudam a tornar o dia a dia mais ativo.
Outro ponto importante é que o exercício não beneficia apenas o coração. Ele também contribui para a saúde mental, melhora o humor, reduz o estresse e aumenta a disposição para as atividades cotidianas.
Vivemos em uma era de facilidades tecnológicas, mas isso também trouxe um desafio: precisamos reaprender a nos movimentar. O corpo humano foi feito para o movimento e, quando ele deixa de acontecer, a saúde paga o preço.
Por isso, neste Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo, vale fazer uma reflexão simples: quanto tempo do seu dia você dedica ao movimento?
Às
vezes, cuidar da saúde pode começar com algo tão simples quanto dar o primeiro
passo.
(*) Edson D'Ávila é coordenador médico da Cardiologia do Hospital Anchieta





.png)