As Corpas Estão Livres: Rainha de Corpas Ocupa o Setor Carnavalesco Sul em Manifesto de Arte e Autonomia
Pelo segundo ano consecutivo, bloco independente abre o Carnaval de Brasília unindo música eletrônica, performance drag e a força política das identidades dissidentes.
O asfalto do Setor Carnavalesco Sul está prestes a se transformar em um laboratório de liberdade. No próximo dia 14 de fevereiro, o Bloco Rainha de Corpas, expoente da Coletiva Corpas no Mundo, retoma seu lugar no "quadrado" para provar que a folia candanga ganha sua melhor forma quando é feita por mãos independentes. Sob o grito de guerra “As Corpas Estão Livres!”, o desfile ocupa a Quadra 1 com uma proposta que funde a vibração da pista com a urgência da visibilidade LGBTQIAPN+.
A Alquimia da Pista: Identidade e Som
O que define o Rainha de Corpas não é apenas o cortejo, mas a curadoria sonora que conecta a rua às tendências contemporâneas. A programação deste ano desenha um mapa sonoro diverso: do funk ao pop, passando por beats híbridos e música eletrônica. Nomes como DJ Ella Nasser, Blake Damon, DJ Matt Ferreira e a artista Hanna Amim (acompanhada da DJ Ipê) garantem que a trilha sonora seja, ela mesma, um ato de experimentação e liberdade.
A condução do espetáculo fica a cargo da drag queen Elloá Negrinny, figura que sintetiza a proposta do bloco: transformar o corpo que dança em um território de soberania. Aqui, a arte drag não é apenas adereço, mas a espinha dorsal de um Carnaval onde o brilho é uma ferramenta de reivindicação por espaço e alegria.
A Gestão do Protagonismo: Vozes da Coletiva
Por trás da explosão de cores no Setor Carnavalesco Sul, existe uma rede organizada de pessoas trans, não-binárias e mulheres que gerem cada etapa do projeto. Para Mafê Oliveira, coordenadora executiva, a independência é o ativo mais valioso do bloco:
"O Rainha de Corpas nasce da nossa necessidade de gerir a nossa própria arte e narrativa. Sair pelo segundo ano consecutivo de forma independente mostra a força da nossa coletividade. Não é só festa: é um projeto cultural que coloca nossas identidades no centro do planejamento e prova que conseguimos existir com autonomia", afirma Mafê.
Essa estrutura logística é o que permite que a criatividade flua sem amarras. Carol Cortez, coordenadora de produção, destaca que a viabilização técnica é o que sustenta o brilho dos artistas:
"Nosso compromisso é garantir que a estrutura sustente o protagonismo da comunidade LGBTQIAPN+. Trabalhamos para que o bloco seja um espaço seguro, organizado e viável, onde todas as pessoas envolvidas possam brilhar com tranquilidade", pontua Cortez.
Comunicação como Militância
O nome do bloco — um elo entre a soberania das "Rainhas" e a pluralidade das "Corpas" — serve como o convite final para uma Brasília que muitas vezes tenta apagar suas dissidências. A estratégia de comunicação, liderada por Leilla Portela, entende a visibilidade como um braço direto da resistência:
"Comunicar o Rainha de Corpas é dar visibilidade a existências que o cotidiano insiste em apagar. No Carnaval, dizemos com clareza: existimos, produzimos cultura de qualidade e ocupamos a rua com orgulho. A comunicação é também militância e convite — para que todas as corpas se sintam rainhas", explica Leilla.
Ao abrir oficialmente o Carnaval no Distrito Federal, o Rainha de Corpas reafirma que a união entre o afeto e a arte é a tecnologia mais potente para transformar a cidade. No dia 14, Brasília não verá apenas um bloco passar; verá a prova de que ocupar o espaço público com liberdade continua sendo o ato político mais necessário e vibrante da capital.
SERVIÇO
Bloco Rainhas de Corpas
Data: 14 de fevereiro
Horário: A partir das 14h
Local: Setor Carnavalesco Sul – Palco Aparelhagem Sound System (Quadra 1, ao lado do Metrô)
Atrações: DJ Ella Nasser, Blake Damon, DJ Matt Ferreira, Hanna Amim (com DJ Ipê) e apresentação de Elloá Negrinny.
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