O Distrito Federal segue refém de um ciclo político em que nomes diferentes produzem consequências semelhantes.
De um lado, José Roberto Arruda, politicamente ativo no discurso, mas juridicamente inelegível, insistindo em promessas sem respaldo legal. De outro, Rodrigo Rollemberg (PSB), cujo governo deixou efeitos concretos e duradouros, especialmente no sistema previdenciário dos servidores. A fusão desses dois passados revela um ponto comum: a população paga a conta.
No caso de Arruda, o debate não gira em torno da viabilidade técnica das propostas, mas da ausência de condição legal para disputar mandato. Sem decisão judicial definitiva que afaste as causas de inelegibilidade, qualquer promessa feita permanece no campo da retórica.
Para especialistas, quando um agente político inelegível se comporta como candidato viável, cria-se uma ilusão institucional, que confunde o eleitor e desloca o debate da legalidade para a emoção. Nesse cenário, prometer passa a ser estratégia de sobrevivência política, não compromisso público.
Já o legado de Rollemberg é mensurável e segue impactando diretamente a vida de milhares de famílias. Durante sua gestão, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev), até então equilibrado, foi utilizado para cobrir déficits do governo. Entre 2015 e 2016, cerca de R$ 1,8 bilhão foi retirado do caixa do instituto. A posterior “recomposição”, feita por meio da transferência de ações do BRB e imóveis, expôs recursos previdenciários a riscos incompatíveis com a natureza conservadora de fundos de aposentadoria. Com a desvalorização dos ativos e instabilidades no mercado financeiro, o prejuízo deixou de ser hipotético.
Além da perda direta, especialistas apontam o custo de oportunidade: se os recursos tivessem sido aplicados de forma conservadora, o patrimônio hoje seria substancialmente maior. O resultado é um cenário de insegurança atuarial que atravessa governos e compromete a confiança no sistema.
A fusão desses dois casos evidencia um padrão da velha política: de um lado, a promessa sem elegibilidade; de outro, a gestão sem responsabilidade de longo prazo. Em ambos, há um afastamento do princípio básico da administração pública, respeito à lei e ao interesse coletivo.
Quando a elegibilidade é tratada como narrativa e a previdência como caixa emergencial, o efeito é o mesmo: descrédito institucional, frustração social e prejuízo humano. Regiões que carecem de infraestrutura, aposentados que dependem de benefícios e cidadãos que esperam previsibilidade acabam reféns de decisões e discursos que não se sustentam no tempo. O alerta que emerge é claro: a população do DF não merece continuar sofrendo com passados inapropriados, gestões temerárias ou projetos políticos desconectados da legalidade.
Elegibilidade não é opinião. Previdência não é improviso. E promessa sem lastro jurídico ou responsabilidade fiscal não é solução é repetição de erros.
Superar esse ciclo exige mais do que reciclar nomes conhecidos. Exige lei cumprida, contas protegidas e verdade no discurso. Sem isso, Arruda e Rollemberg deixam de ser casos isolados e passam a representar um mesmo problema estrutural: a política que insiste em avançar sem aprender com o próprio passado.
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