Senai RN estuda geração de energia com captura de CO2 da biomassa

Giovanny Oliveira e Ciro Lobo, do ISI-ER, acompanharão a montagem, o comissionamento e os testes iniciais da Unidade com o Instituto de Carboquimica, na Espanha, para o envio da estrutura ao Brasil (Foto: Renata Moura)

Giovanny Oliveira e Ciro Lobo, do ISI-ER, acompanharão a montagem, o comissionamento e os testes iniciais da Unidade com o Instituto de Carboquimica, na Espanha, para o envio da estrutura ao Brasil (Foto: Renata Moura)

Planta piloto para realização de experimentos na área será instalada no Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER)


O Rio Grande do Norte quer se tornar o primeiro estado do Brasil – e polo da América Latina – com infraestrutura para estudar a produção de energia a partir de resíduos da biomassa com captura de CO2.

Para isso, o Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) está instalando uma planta piloto que fará experimentos com um processo chamado recirculação química.

A tecnologia permite a captura do CO2, ou seja, a retenção do gás, em vez da liberação à atmosfera, em processos de reforma e combustão de combustíveis fósseis. Agora, será aplicada a combustíveis sólidos, de olho no aproveitamento da biomassa.

"O foco será no desenvolvimento tecnológico para gerar energia com captura de CO2, através do melhor aproveitamento dos principais resíduos de biomassa do Brasil", diz o pesquisador líder do Laboratório de Sustentabilidade do ISI-ER, Juan Ruiz.

Chamada Unidade de Recirculação Química (URQ) para Biomassa, a nova planta será incorporada à estrutura a partir de 2024, mas preparação já começou nesta segunda-feira (6/11) na Espanha.

"Estudos na área de recirculação química abrem novas perspectivas de aplicação e agregação de valor para produtos de alto potencial energético, como a biomassa, ao mesmo tempo em que apontam caminhos para redução de emissões de CO2, o mais abundante gás do efeito estufa, nos processos produtivos", conta o diretor regional do SENAI-RN e do ISI-ER, Rodrigo Mello.

Mello espera que os estudos ajudem a viabilizar que novas soluções de transição energética saiam do laboratório e "cheguem o mais breve possível à indústria".

Dentro da escala TRL (do inglês Technology Readiness Levels), que vai de 1 a 9 para medir o quão prontos produtos ou processos estão em desenvolvimento para o mercado, a recirculação química está no nível 6.

Novos combustíveis

Em outra Unidade de Recirculação Química que o SENAI opera em Natal, desde 2014, projetos do ISI com combustíveis gasosos e líquidos, como gás natural, biogás, etanol e glicerina servem de base, por exemplo, para o desenvolvimento atual de um combustível sustentável de aviação que busca reduzir as emissões de CO2 do transporte aéreo brasileiro.

Já a nova unidade pretende ampliar o desenvolvimento de tecnologia para combustíveis sólidos, o que inclui desde bagaço de cana e casca do coco, até esterco suíno e bovino. 

"Mesmo se tratando de uma tecnologia ainda em desenvolvimento, a recirculação química já se mostrou bastante versátil com relação às fontes de combustíveis que podem ser usadas (gás, líquido ou sólido) e aos processos que podem ser ajustados (combustão e reforma)", afirma Ruiz.

O pesquisador explica que, durante o processo, independente do insumo, é possível obter correntes concentradas de CO2, que podem ser destinadas à captura e conversão de produtos de maior valor agregado.

Entre as possibilidades de uso do CO2 estudadas pelo laboratório está a transformação em em produtos como o hidrogênio, gás de síntese e energia com captura de CO2.

Parceria Brasil-Espanha

As atividades do projeto serão desenvolvidas até 31 de janeiro de 2024, na cidade de Zaragoza, na Espanha, por meio de cooperação com o Instituto de Carboquimica (ICB) – centro de pesquisa público vinculado ao Conselho Nacional de Pesquisa Espanhol (CSIC) e referência mundial em processos que envolvem o uso da recirculação química.

Integrantes da equipe técnica e de pesquisa do ISI acompanharão in loco a montagem, o comissionamento e os testes iniciais com o Instituto europeu, para o envio da estrutura para o Brasil.

"Essa é uma parceria estratégica que nós temos, com desdobramentos que analisamos como muito positivos para o meio ambiente e a indústria", diz Mello.

Com informações de Nayara Machado / Epbr

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